#prontofalei – A falta de medicamentos de sedação

O aumento do número de pacientes que necessitam de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) no Brasil devido à pandemia do novo coronavírus já causa um grave efeito colateral. Está faltando medicamentos para a sedação que são usados no processo de intubação em pacientes com complicações decorrentes da Covid-19 em todo o país. Esses medicamentos são utilizados também para sedar pacientes que necessitam de leitos de UTI após sofrer infarto ou Acidade Vascular Cerebral (AVC), por exemplo. A matéria prima desses medicamentos de sedação geralmente é importada e está em falta no mercado devido ao aumento da demanda mundial causado pela pandemia.

 

Inicialmente a falta dos medicamentos de sedação foi registrada nos estados do Norte e Nordeste do país. Porém, nesta semana a população de Araxá tomou conhecimento que o estoque desses medicamentos na nossa rede pública de saúde é muito baixo. Um áudio postado pela secretária de municipal de Saúde, Diane Dutra, em um grupo de aplicativo de mensagens vazou na última quarta-feira, 17 de junho, e rapidamente se espalhou pelas redes sociais. O áudio foi postado em um grupo formado por gestores de saúde pública dos municípios da microrregião que têm Araxá como referência. No áudio, Diane demonstra a sua preocupação com o baixo estoque de medicamentos de sedação em Araxá e informa que está encontrando dificuldades em comprá-los, pois os mesmos estão em falta no país.

 

Diane ainda informa no áudio que o estoque seria suficiente apenas para mais 10 dias e que irá convocar uma reunião do Comitê de Enfrentamento à Covid-19 de Araxá, do qual é coordenadora, para propor um novo fechamento do comércio local, com a manutenção apenas dos serviços essenciais, até que a Prefeitura de Araxá consiga comprar os medicamentos de sedação. Até o momento em que escrevi esta coluna a reunião não havia acontecido. É uma situação realmente muito preocupante que acabou causando um certo pânico na cidade. Recebi diversas mensagens de pessoas assustadas com as informações repassadas por Diane no áudio que vazou.

 

Araxá é referência em saúde para sete cidades da nossa microrregião. Isso significa que pacientes de Tapira, Ibiá, Perdizes, Campos Altos, Santa Juliana, Pratinha e Pedrinópolis que necessitam de internação de média complexidade ou em leitos de UTI, por qualquer enfermidade, são encaminhados para cá. Os leitos exclusivos para pacientes com suspeita ou com Covid-19 na rede pública de saúde, seja de UTI ou enfermaria, atendem uma população de cerca de 180 mil pessoas, que é a soma dos habitantes de Araxá e com os das sete cidades da microrregião. Esses leitos estão concentrados na Santa Casa de Misericórdia da nossa cidade. Sem medicamentos de sedação os leitos de UTI da rede pública ficam inutilizados.

 

O alerta vermelho está ligado em Araxá e nas sete cidades da microrregião. Penso que a decisão tomada pelo comitê de Araxá tem que ser seguida pelos municípios que enviam pacientes para a nossa cidade. Até o momento em que escrevi esta coluna, 60% dos leitos de UTI exclusivos para Covid-19 estavam ocupados, sendo que a maioria dos pacientes era das demais cidade da nossa microrregião. A responsabilidade em evitar que alguém morra em decorrência da falta de medicamentos de sedação não é só de Araxá. As outras cidades também têm que tomar as providências necessárias até que possa ser realizada a compra desses medicamentos para recompor o estoque. Tomara que isso se resolva o mais rápido possível para o bem de todos. #SaúdePúblicaEmAlerta

 

Coluna #prontofalei publicada na edição nº 3819 do jornal Correio de Araxá em 20 de junho de 2020

 

 

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