#prontofalei – A mentira tem perna curta

A Mosaic Fertilizantes conseguiu angariar a antipatia de grande parte da população de Araxá. O motivo? A notícia, por meio da imprensa local, de que a empresa iria contratar centenas de pessoas de outras cidades para realizar a manutenção anual do seu complexo mineroquímico em nosso município. A empresa se manifestou, por meio de nota, informando que já tinha adiado essa manutenção por duas vezes, por causa da pandemia do coronavírus, e que não seria mais possível alterar o cronograma novamente. Na mesma nota, a Mosaic afirmou que seriam contratados profissionais, preferencialmente, de Araxá para realizar a manutenção. Porém, essa preferência por contratação de mão de obra da nossa cidade era apenas conversa pra boi dormir.

 

O procurador-geral do município, Dr. Jonathan Reunad, desmascarou a Mosaic Fertilizantes ao dizer no programa institucional de rádio da Prefeitura de Araxá que a empresa havia informado em um procedimento administrativo que a mão de obra para a manutenção já estava contratada, sendo composta por 740 trabalhadores vindos de São Paulo, Bahia, Piauí, Maranhão, Ceará, Goiás e diversos municípios mineiros. Apenas 96 trabalhadores contratados são de Araxá. A empresa alegou falta de mão de obra em nossa cidade. Dr. Jonathan classificou essa alegação como uma inverdade, pois em anos anteriores a manutenção no complexo mineroquímico foi realizada por empresas de Araxá. Ficou feio para a Mosaic. Como dizia meu saudoso pai: “a mentira tem perna curta”.

 

O prefeito Aracely assinou um decreto municipal proibindo a contratação de mão de obra temporária oriunda de outros municípios. Apesar de abranger todas as empresas da cidade, o decreto teve como alvo certo a Mosaic. É muita irresponsabilidade dessa empresa querer trazer centenas de pessoas de outras cidades para Araxá neste momento de pandemia. Como se já não bastasse o aumento da curva da Covid-19 em nossa cidade nas últimas semanas, a Mosaic pretendia aumentar a população da cidade colocando em risco os atendimentos de pacientes com Covid-19 no sistema público de saúde. Araxá já recebe pacientes de sete municípios por ser referência da nossa microrregião e tudo o que a nossa cidade não precisa agora são as 740 pessoas que a Mosaic queria trazer pra cá. A empresa recuou e anunciou, mais uma vez por meio de nota, que vai cumprir o decreto. Será mesmo? Cabe à Prefeitura fiscalizar o cumprimento desse decreto, pois fui informado que mais de 100 trabalhadores de outras cidades já chegaram em Araxá para essa manutenção na Mosaic.

 

Outro absurdo dessa história foi a Mosaic ignorar os trabalhadores desempregados de Araxá para contratar mão de obra de fora. A nossa cidade teve 938 demissões em abril, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério da Economia. São pais e mães de família sem emprego nesta pandemia. O correto seria o inverso, ou seja, 740 trabalhadores de Araxá e, no máximo, 96 de outras localidades. Virar as costas para o povo de Araxá neste momento é uma atitude lamentável que mostra o tamanho da insensibilidade da Mosaic. A empresa preferiu trazer mão de obra barata do que prestigiar os trabalhadores da cidade onde está situada. A manutenção anual tem que ser realizada mesmo, isto é fato. Então que seja com mão de obra de Araxá, como já foi feito anteriormente. Caso contrário, sem manutenção. E aí, Mosaic? #TemQuePrestigiarAraxá

 

Coluna #prontofalei publicada na edição nº 3817 do jornal Correio de Araxá em 6 de junho de 2020

 

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