#prontofalei – O primeiro ano de Romeu

E mais um ano se foi. Este ano que começou com a expectativa de como seria o desempenho do araxaense Romeu Zema no comando do Governo de Minas termina com uma operação de crédito prejudicial aos cofres públicos do Estado que visa acabar temporariamente com o parcelamento dos salários do funcionalismo público estadual iniciado em 2016. Minas Gerais está quebrada e Romeu tenta descascar um abacaxi com canivete. A situação financeira do Estado é caótica, uma herança dos desgovernos anteriores. Diante dessa situação, o governador araxaense pouco fez para a sua terra natal.

 

Romeu iniciou o seu mandato enfrentando a tragédia de Brumadinho. A ganância da empresa Vale matou 270 pessoas. O rompimento da barragem da mina do Córrego do Feijão ocorrido no dia 25 de janeiro deste ano foi um crime cometido por uma empresa assassina que colocou seus lucros acima da vida humana. Novato na política, Romeu deu declarações desastrosas logo após a tragédia. Ele chamou o rompimento da barragem da Vale de incidente e criticou o Ministério Público por pedir auxílio imediato para as vítimas da tragédia. Depois, com o passar do tempo, o governador passou a ser mais cuidadoso em suas declarações para evitar polêmicas desnecessárias.

 

Por não concordar com a forma como era feito o ensino de tempo integral nas escolas estaduais de Minas Gerais, o governador decidiu interrompê-lo para reestruturá-lo. A medida foi muito polêmica e repercutiu muito mal. Acuado pela Assembleia Legislativa, que estava prestes a votar a reforma administrativa do Governo do Estado, Romeu foi obrigado a recuar e teve que reabrir, aos poucos, o ensino de tempo integral na rede estadual de ensino. Os deputados estaduais exigiram a volta imediata do tempo integral para aprovar a reforma administrativa e o governador não teve outra opção.

 

Romeu adotou diversas medidas no Estado para diminuir despesas, como a extinção de algumas secretarias e de cargos comissionados, mas não conseguiu realizar as privatizações que precisam ser feitas para que Minas Gerais possa aderir ao regime de recuperação fiscal do Governo Federal. O governador quer privatizar Codemig, Cemig, Copasa e Gasmig. Porém, isso não será nada fácil diante da resistência de grande parte da Assembleia Legislativa em relação às privatizações que o Governo do Estado pretende realizar. Aliás, o relacionamento entre o araxaense Romeu e os deputados estaduais foi meio conturbada neste seu primeiro ano de governo, mas melhorou nos últimos meses.

 

Graças ao empenho do presidente da Assembleia Legislativa, Agostinho Patrus, e diante do sofrimento dos servidores estaduais que recebem seus salários parcelados há três anos, Romeu conseguiu aprovar o projeto que permite que a Codemig receba antecipadamente 49% dos royalties do nióbio referentes ao período de 2020 a 2032. Essa antecipação de 12 anos deve render de imediato ao Estado cerca de R$ 5 bilhões. Como se trata de uma operação de crédito, onde a instituição financeira que vencer o leilão na Bolsa de Valores de São Paulo antecipará os recursos dos royalties do nióbio, Minas Gerais terá que pagar juros. Isso será prejudicial aos cofres públicos. Não é o ideal, mas é o possível para o momento.

 

O dinheiro arrecadado com essa antecipação servirá para pagar o 13º salário do funcionalismo público estadual em parcela única e acabar temporariamente com o parcelamento dos seus salários. Parte do dinheiro ainda poderá ser usada para pagar a primeira parcela da dívida do Estado com os municípios mineiros. Essa dívida é proveniente dos recursos do ICMS, IPVA e Fundeb que deveriam ter sido repassados aos municípios no governo anterior, mas foram retidos pelo ex-governador Fernando Pimentel. Romeu fez um acordo com a Associação Mineira de Municípios (AMM) para pagar a dívida de forma parcelada, sendo que a primeira parcela tem que ser quitada agora em janeiro de 2020.

 

Os araxaenses tinham uma grande expectativa em relação ao Governo Romeu Zema. A expectativa era que Araxá pudesse de alguma forma aproveitar o fato de ter um araxaense no comando do Estado. Porém, a difícil situação financeira de Minas Gerais impossibilitou que a expectativa se concretizasse. Quase nada foi feito pelo governador para a nossa cidade. É obvio que Romeu não foi eleito prefeito de Araxá e sim governador de um Estado com 853 municípios, mas nem o básico foi feito pela cidade. A revitalização da Vila do Artesanato, no Complexo do Barreiro, ainda não saiu do papel. Aliás, é triste ver o Barreiro, principal cartão postal de Araxá, praticamente abandonado. É uma vergonha para a cidade do governador. Ainda em relação ao Barreiro, Romeu disse na entrevista que me concedeu em novembro no podcast Sem Censura, do portal Diário de Araxá, que pretende vender o Grande Hotel.

 

A missão de Romeu não é nada fácil, mas Araxá continua torcendo pelo sucesso do seu governo e espera que ele tenha uma atenção especial com a nossa cidade em 2020. Araxá tem que ser tratada pelo Governo de Minas de acordo com a sua importância. E a nossa cidade não é importante porque é a cidade do governador. A importância de Araxá é devido às suas riquezas naturais que geram uma enorme receita para os cofres do Estado. Prova disso é que Minas Gerais receberá alguns bilhões de reais para colocar em dia o pagamento dos servidores públicos estaduais graças ao nióbio extraído aqui do nosso solo. É obrigação de qualquer governador tratar Araxá na mesma proporção da importância que a cidade tem para o Estado, principalmente o araxaense Romeu.

 

Esta é a última coluna de 2019. Como estarei de férias em janeiro, a primeira coluna de 2020 será publicada na edição do Correio de Araxá do dia 1º de fevereiro. Desejo um Feliz Natal e um Ano Novo de muita paz, saúde e amor para todos que sempre me acompanham aqui neste espaço. Até 2020! #ÚltimaDoAno

 

Coluna #prontofalei publicada na edição nº 3792 do Correio de Araxá em 14 de dezembro de 2019

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