Coluna Nilton Ribeiro – Por que é tão importante estimular, desde cedo, a independência das crianças?

Todos já ouviram falar sobre a importância de estimular a independência das crianças desde cedo. Mas muitas vezes alguns pais parecem não saber por onde e quando começar. Ou ainda, subestimam a capacidade de seus filhos, achando que ainda são pequenos para determinado ato ou que terão a vida toda para fazê-los.

 

A estimulação para a independência da criança deve se possível, começar cedo, ainda na fase de bebê, em situações como o hábito de dormir sozinho ou segurar a mamadeira, por exemplo. Toda a aprendizagem envolve várias fases: a iniciativa para começar, as tentativas, lidar com a frustração do erro, ser perseverante para tentar de novo, saber buscar ajuda, tentar e tentar quantas vezes forem necessárias até atingir o êxito e poder curtir a vitória.

 

E também exige planejamento de tempo, pois é claro que para a criança, o simples ato de colocar o próprio sapato é mais demorado do que se o papai ou a mamãe o fizesse por ela. Então, incentive-a dando-lhe tempo suficiente para isso.

 

A independência tem, ainda, uma outra questão igualmente importante: as atividades diárias ajudam a desenvolver habilidades e competências nas mais diversas áreas: desenvolve a coordenação motora, a lateralidade, o raciocínio lógico matemático, a responsabilidade, a seqüência e organização de planejamento e ações.

 

Foi pensando nisso, que decidi escrever esse post. Sempre achei muito importante a independência da criança, dada no seu tempo certo. A independência é fator primordial no desenvolvimento normal de toda criança, e não deve ser ignorada. Assim como também a casa da criança não deve ser modificada para o bom desenvolvimento da criança, pois a modificação do ambiente impossibilita a adaptação e independência da criança.

 

Quando falo sobre a não modificação do ambiente da casa, estou me referindo a não retirada de móveis, mesas… do espaço que a criança irá explorar. Mesas no meio do caminho, bancos, etc… fazem parte dos estímulos oferecidos as crianças, da maneira com que interagem e exploraram determinado móvel, promovendo sua independência para utilizá-lo. O entendimento da criança sobre a função da mesa, por exemplo, faz parte do seu desenvolvimento, da sua independência em relação à forma de usá-lo.

 

Outro exemplo para melhor entendimento: na minha casa existe 7 degraus para chegarmos ao quarto. Todos que nos visitavam quando a Sofia nasceu logo mencionavam sobre a escada, que deveríamos tomar certos cuidados, como o uso de grades e protetores de escadas, para que a Sofia não viesse sofrer um acidente. Eu e minha esposa já temos outra visão sobre o perigo da escada. Para nós, chegaria o momento em que ensinaríamos a Sofia a subir e descer as escadas, de forma correta para cada fase do seu desenvolvimento, além de informá-la sobre o perigo da escada. Assim fizemos!

 

Não vou dizer que foi fácil, pois tivemos que insistir diversas vezes nas orientações, paciência nas tentativas de subir e descer, tempo e dedicação. Mas nada que não fosse impossível. O esforço valeu a pena.

 

Hoje a Sofia já aprendeu a subir e descer a escada tranquilamente e sem medo. Claro que a supervisão de um adulto ainda se faz necessário para ela realizar essa atividade. Até mesmo a Sofia já tem essa consciência, pois quando quer subir as escadas para ir ao seu quarto ou descer para ir para a sala, ela sempre chama por mim ou por minha esposa, mencionando a vontade de descer.

 

Conforme a criança for crescendo, novos desafios surgirão. Nesse momento, se toda a primeira fase de estímulo à independência tiver sido trabalhada, com certeza a criança estará preparada para encarar toda e qualquer nova situação, com total segurança. 

 

Hábitos de independência que se criam desde cedo ajudarão a criança a tornar-se um adolescente e, posteriormente um adulto, muito mais responsável, bem resolvido, organizado e com grande iniciativa.

 

A fase de tentativas, erros e acertos é um momento importante onde os pais e educadores deverão estar atentos, dando força e incentivo para que ela seja perseverante, que é outro comportamento extremamente importante, que ela levará por toda a vida, e não se desanime diante das dificuldades. 

 

Acima de tudo, os pais devem acreditar no potencial de seus filhos.

 

Nilton Ribeiro Júnior

Fisioterapeuta no CER – APAE

Fisioterapeuta no CRI – Santa Casa

Fisioterapeuta na Clínica Anjos que Cuidam

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