#prontofalei – Trânsito não é lugar para irresponsáveis

Nesta semana eu trafegava com meu veículo pela avenida Sebastião Afonseca e Silva, no sentido à rua Dr. Edmar Cunha, quando me deparei com uma motocicleta trafegando na contramão de direção. Para quem não conhece, essa avenida tem duas pistas que são separadas por um canteiro central. No ponto em que me deparei com a motocicleta na contramão as pistas não são nem no mesmo nível. A pista que eu trafegava fica acima da outra. O motociclista sabia que estava na contramão, porém trafegava tranquilamente como se não estivesse cometendo uma infração de trânsito.

 

A irresponsabilidade desse motociclista me motivou a escrever sobre o trânsito de Araxá. E não é de hoje que abordo esse assunto aqui no Correio de Araxá. A minha primeira coluna neste jornal foi publicada no dia 20 de dezembro de 2014 e o assunto foi justamente o trânsito da nossa cidade. Araxá tem uma enorme quantidade de veículos que entope as principais vias da cidade nos horários de pico. E para piorar essa situação, as ruas da área central são muito estreitas. Isso causa inúmeros transtornos para a população em geral. Com o trânsito lento devido à quantidade excessiva de veículos, os ônibus do transporte coletivo urbano não conseguem cumprir os seus horários, o que atrasa a vida de quem depende deles.

 

E como se não bastasse a quantidade excessiva de veículos nas ruas de Araxá, uma parcela dos condutores não se importa nem um pouco em descumprir as leis de trânsito. E quando são multados por causa das infrações que cometem, esses condutores acham ruim. Tenho certeza que o motociclista com quem me deparei soltaria os cachorros nas redes sociais se tivesse sido flagrado trafegando na contramão de direção por agentes fiscalizadores de trânsito e multado por esta infração. Ninguém é multado à toa no trânsito, mas infelizmente as pessoas têm uma enorme dificuldade em assumir os seus erros e preferem culpar quem os multou.

 

Eu já fui multado algumas vezes no trânsito. Em uma delas, há quase dez anos, eu irresponsavelmente atendi o celular enquanto dirigia e dei de cara com uma viatura da Polícia Militar. Quem estava errado? Eu que atendi o celular dirigindo um veículo ou o policial que me multou? Em outras três ocasiões fui flagrado por radares fixos em dois pontos da cidade e por um radar móvel na BR-262 trafegando em velocidade acima da permitida. O errado foi quem? Eu que não respeitei o limite de velocidade ou os radares? Todas as vezes que recebi uma multa de trânsito eu estava errado, assim como a grande maioria dos condutores que é multada. É ruim ser multado? Sim, claro. Pesa no bolso pagar uma multa? Sim, pesa. Mas não podemos fugir das nossas responsabilidades.

 

Alguns motociclistas, como o que eu me deparei nesta semana, tornam o trânsito de Araxá mais perigoso por causa das suas irresponsabilidades. Trata-se de uma pequena parcela, que geralmente não possui a Carteira Nacional de Habilitação. Na maioria das vezes quem empina moto, ultrapassa pela direita, excede a velocidade ou tem o péssimo hábito de colocar o pé em um carro estacionado para se equilibrar nos semáforos são jovens inabilitados. Aliás, todos aqueles que empinam as suas motos pelas ruas da cidade colocam em risco as suas próprias vidas, as de quem está na garupa e as de terceiros que não têm nada a ver com as suas acrobacias irresponsáveis.

 

Condutores que enchem a cara nos finais de semana e dirigem sob o efeito de bebida alcoólica também são um perigo constante no nosso trânsito. É preciso ter muito cuidado para dirigir em Araxá nas noites de sábado e domingo, pois os condutores embriagados tomam conta das ruas da cidade. Os pedestres também precisam ter cuidado redobrado, pois esses condutores alcoolizados não enxergam ninguém. Álcool e direção são uma combinação perigosíssima que causa mortes. Quem dirige embriagado comete um crime, cujas penas são a detenção de seis meses a três anos, multa e suspensão ou proibição de se obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo.

 

Tem um ditado que diz que a pressa é inimiga da perfeição. No trânsito, a pressa causa acidentes. Não adianta nada os condutores terem pressa. O importante é trafegar com segurança respeitando os pedestres e as leis de trânsito. O delegado de trânsito Dr. Renato de Alcino Vieira sempre comenta que Araxá não é mais aquela cidade pequena em que as pessoas gastavam pouco tempo para se deslocar de um ponto ao outro em qualquer horário do dia. Ele tem razão. As pessoas precisam se programar para os seus compromissos sabendo que é necessário sair com antecedência, pois gastarão mais tempo no trânsito, principalmente nos horários de pico.

 

Aqui em Araxá os condutores querem sempre estacionar seus veículos na porta de onde vão, o que já não é mais possível. Andar um pouco não mata ninguém. Pelo contrário, faz um bem danado para a saúde. Os condutores precisam entender que os tempos são outros e que hoje é possível estacionar apenas em um local mais próximo do seu destino. Na porta não dá mais. Não adianta chegar em cima da hora da missa na Matriz de São Domingos, estacionar o veículo na calçada da Aserpa e achar que está tudo certo. Não está. Se passar um agente fiscalizador pelo local, essa pessoa será multada por estacionar em local proibido. Aliás, o padre Francisco poderia permitir que os fiéis estacionem os seus veículos na frente da igreja de São Domingos nos horários das missas de sábado e domingo.

 

É necessário que todos entendam o seu papel no trânsito e assumam as suas responsabilidades. Todos devem se respeitar no trânsito. Pedestres, motoristas, motociclistas e ciclistas têm que conviver em harmonia. Errar é humano. Mas é preciso assumir o erro e aprender com ele. Agora, cometer uma infração de trânsito sabendo o que está fazendo, como o tal motociclista da avenida Sebastião Afonseca e Silva, é um ato de irresponsabilidade que pode causar um acidente. Trânsito não é lugar para irresponsáveis. #TrânsitoAraxá

 

Coluna #prontofalei publicada na edição nº 3784 do Correio de Araxá em 19 de outubro de 2019

 

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