#prontofalei – Vidas que se perdem na depressão e na BR-262

“É só chegar setembro que todo mundo personaliza o seu perfil de ‘setembro amarelo, mês de prevenção ao suicídio. Vamos conversar?’… Só uma DICA: quem tem depressão e pensa em suicídio tá sempre querendo conversar. Então tome essa atitude não somente em setembro, mas todos os dias da sua vida!”

Esse comentário foi feito em uma rede social na noite do último dia 2 de setembro por uma jovem de 22 anos de idade. Essa jovem cometeu suicídio na última quarta-feira, dia 11. Ela residia na vizinha cidade de Tapira e cursava Direito em Araxá. Onze dias depois de escrever o comentário, a jovem se tornou mais uma vítima da depressão.

 

Nesta semana tivemos o Dia de Prevenção ao Suicídio. A Organização Mundial de Saúde (OMS) divulgou que a taxa de suicídios a cada 100 mil habitantes aumentou 7% no Brasil. Os números mostram que os homens morrem mais por suicídio. Foram 2,8 suicídios a cada 100 mil entre as mulheres e 9,7 a cada 100 mil entre os homens. A OMS estima que cerca de 800 mil pessoas acabam com suas vidas todos os anos no mundo. Aqui no Brasil são 11 mil suicídios por ano. O suicídio é a segunda causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos no mundo, atrás apenas de acidentes de trânsito. A cada morte confirmada por suicídio, outras vinte tentativas acontecem no mundo.

 

A maioria dos suicídios é causada pela depressão, que é uma doença psiquiátrica crônica caracterizada por uma tristeza profunda e sem fim, associada a sentimentos de dor, amargura, desencanto, desesperança, baixa autoestima e culpa. Uma pessoa que comete suicídio não quer morrer e sim arrancar de dentro dela uma dor insuportável que a consome. Quer acabar com o sofrimento. Depressão não é frescura e nem falta de Deus como muitos dizem. É uma doença terrível que mata se não for tratada corretamente. Uma pessoa não comete suicídio sem antes dar sinais.

 

Porém, as pessoas têm muita dificuldade para perceber os sinais dados por alguém que pensa em suicídio. Hoje as pessoas se preocupam cada vez menos com os problemas dos outros. Falta diálogo nas famílias. A internet tomou conta da vida do ser humano, que passa horas olhando para a tela de um celular, mas não consegue olhar por alguns minutos nos olhos do marido, da esposa, dos filhos, dos pais, dos avós ou dos amigos. O mundo precisa de mais olho no olho e menos olho na tela. Como disse a jovem que tirou a própria vida nesta semana, “quem tem depressão e pensa em suicídio tá sempre querendo conversar.” Infelizmente hoje as pessoas pouco conversam e por isto não prestam atenção umas nas outras.

 

É preciso ter um diálogo aberto com as pessoas que sofrem de depressão. Mas tem que ser um diálogo sem julgamentos, onde é preciso se colocar no lugar da outra pessoa para buscar a compreensão dos seus sentimentos. E em seguida é essencial procurar ajuda profissional, pois a depressão é uma doença tratável. Psicólogos e psiquiatras sabem como lidar com essas situações e dão o apoio necessário para a pessoa e sua família. Já o Centro de Valorização da Vida conta com uma equipe de voluntários que são treinados para conversar com pessoas que procuram ajuda e apoio emocional. O Ligue 188 é uma ligação gratuita e os voluntários atendem as pessoas que querem ser ouvidas e expor as suas dores, mas que não conseguem ter diálogo com aqueles que estão próximos.

 

Não devemos nos preocupar com depressão e suicídio em apenas um mês do ano. Porém, o Setembro Amarelo tem salvado muitas vidas nos últimos anos. O objetivo do Setembro Amarelo é colocar o suicídio em debate para alertar a população sobre esse terrível mal e despertar naquelas pessoas que sofrem com depressão a vontade de buscar ajuda para enfrentá-la. É uma intensificação do que tem que ser feito o ano todo. Não podemos menosprezar essa campanha que está quebrando um tabu. O Setembro Amarelo não incentiva suicídio como vi pessoas erroneamente afirmando em redes sociais. Essa campanha salva vidas. É preciso falar de suicídio sim. Não podemos ficar de braços cruzados diante de tantas vidas interrompidas precocemente pelo suicídio.

 

E falando em vidas interrompidas precocemente, já passou da hora das autoridades competentes cobrarem que a concessionária Triunfo Concebra cumpra o contrato que assinou com a União. A Triunfo recebe pedágios há anos na rodovia BR-262 e até agora não deu início à duplicação do trecho compreendido entre Uberaba e Nova Serrana. No último domingo, 8 de setembro, uma jovem médica morreu dois dias antes de completar 30 anos de idade em uma colisão frontal entre o veículo que ela dirigia e uma carreta. A médica era bastante conhecida em Araxá, pois trabalhava na Unidade de Pronto Atendimento (UPA). Ela também era médica do suporte avançado da Triunfo Concebra, que tem responsabilidade pela morte dela, afinal se já tivesse cumprido o contrato esse acidente não teria acontecido, pois a rodovia já estaria duplicada.

 

É um absurdo o cidadão ter que pagar pedágio na perigosa BR-262 para transitar em uma rodovia de pista simples e tráfego intenso de veículos pesados. E a qualidade do asfalto deixa muito a desejar. Por que a população continua pagando pedágio então? Se eu passar por uma praça de pedágio da Triunfo Concebra sem pagar e arrebentar a cancela com o meu veículo certamente sofrerei algum tipo de punição. A concessionária só recebe dinheiro, não faz os investimentos previstos no contrato e nada acontece.

 

Onde está a duplicação da BR-262? As pessoas que trafegam por essa rodovia estão sendo vítimas de estelionato, pois pagam por algo que não existe. Estelionato é crime. As pessoas deveriam registrar boletins de ocorrência sobre isso. A vida de um ser humano não tem preço, mas a família da médica que morreu no início desta semana na BR-262 deveria processar a Triunfo Concebra. Quantas pessoas mais precisam morrer nessa rodovia para que seja tomada alguma providência? No mínimo a Triunfo Concebra deveria ser proibida de cobrar pedágio até que as obras de duplicação comecem. Chega de fazer o povo de bobo. A Triunfo tem sangue nas mãos e deve ser severamente punida por isto no rigor da lei. #VidasQueSePerdem

 

Coluna #prontofalei publicada na edição nº 3779 do Correio de Araxá em 14 de setembro de 2019

 

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