#prontofalei – Fábrica de batatas e a volta dos cassinos

Na semana passada escrevi neste espaço que Araxá não poderia perder a oportunidade de ter uma fábrica da empresa canadense McCain, líder mundial em produção e comercialização de batatas pré-fritas congeladas. Representantes da empresa já tinham entregado uma carta de intenções em maio deste ano para a Administração Municipal manifestando o interesse de implantar uma fábrica em nossa cidade. A boa notícia veio ainda no último final de semana. A McCain anunciou a construção da sua primeira fábrica no Brasil. E será aqui mesmo em Araxá. A empresa já possui 52 fábricas espalhadas em seis continentes e agora implantará a primeira em nosso país.

 

De acordo com o anúncio feito pela McCain, a fábrica da empresa em Araxá irá gerar 150 empregos direitos e outros 450 indiretos, além de impactar, em média, 750 profissionais no campo da agricultura. Para construir a fábrica, que deve ser inaugurada no primeiro semestre de 2021, a McCain investirá US$ 100 milhões, que corresponde a cerca de R$ 375 milhões. A geração de empregos já começa na construção da fábrica, com a utilização da mão de obra local. O governador Romeu Zema, o prefeito Aracely de Paula e o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Geraldo Lima Júnior, tomaram café da manhã juntos nesta semana aqui em Araxá para definir a participação do Governo de Minas nas contrapartidas pedidas pela McCain.

 

A Prefeitura de Araxá irá desapropriar uma área de 63 hectares para que a fábrica seja construída e depois repassá-la para a McCain com a autorização da Câmara Municipal, que terá que aprovar a cessão. Já o Governo de Minas deve contribuir com toda a infraestrutura de acesso à fábrica. Serão investimentos públicos com a finalidade de fomentar o desenvolvimento econômico de Araxá e Minas Gerais, pois ter a fábrica da McCain é ter mais empregos para a população e mais receita para o município e o Estado. Nesses tempos em que Minas Gerais enfrenta enormes dificuldades financeiras, o anúncio da fábrica da McCain na terra do governador Romeu Zema é para ser bastante comemorado.

 

Ainda sobre a geração de empregos para Araxá, a imprensa de Belo Horizonte divulgou recentemente que a legalização de todas as modalidades de jogos no Brasil entrou na lista de prioridades do Congresso Nacional e pode ser votada até setembro deste ano. Essa legalização vai permitir a implantação de cassinos em várias cidades brasileiras. Em Minas Gerais nove cidades poderão ter cassinos, de acordo com o projeto de lei que tramita em Brasília, sendo que uma delas é Araxá. O projeto garante que as cidades com estâncias hidrominerais e que tenham sediado cassinos no passado possam ter casas de jogos. A nossa cidade teve os cassinos do Grande Hotel do Barreiro e o Cassino Araxá.

 

O Grupo Tauá, atual arrendatário do Grande Hotel, já estuda parcerias com empresas estrangeiras para implantar o cassino se os jogos forem legalizados no Brasil. A expectativa é que a implantação de cassinos em nove cidades mineiras, incluindo a capital Belo Horizonte, represente uma arrecadação tributária de R$ 2 bilhões para Minas Gerais e 18 mil novos postos de trabalho no Estado. São números que enchem os olhos e fazem com que muita gente seja a favor da volta da jogatina. Porém, ainda não consigo ter uma opinião formada sobre esse assunto.

 

É inegável que a volta dos cassinos será muito importante para as economias do Estado e dos municípios onde eles serão implantados e fomentará o turismo nas estâncias hidrominerais. Mas não podemos ignorar que jogos de azar estão relacionados a lavagem de dinheiro e corrupção. Como a maioria das apostas devem ser feitas em espécie, os cassinos facilitarão a vida daqueles que queiram tornar legal um dinheiro obtido de forma ilegal. O poder público terá dificuldades em fiscalizar os cassinos para evitar essa lavagem de dinheiro. É lógico que as novas tecnologias e uma regulamentação rigorosa dos jogos de azar podem dificultar bastante a vida de quem quiser lavar dinheiro, mas mesmo assim não será nada fácil a fiscalização.

 

Outro ponto que devemos considerar é que, assim como álcool e outras drogas, os jogos de azar causam dependência. É um vício. A dúvida neste caso é se a legalização dos jogos estimula ou não esse vício. Não podemos ser ingênuos em achar que com os jogos proibidos no Brasil os viciados em jogatina estão longe das apostas. Existem milhares de casas de jogos clandestinas no país frequentadas por pessoas que tem o transtorno do jogo compulsivo, uma patologia reconhecida pela Organização Mundial da Saúde. Portanto, com ou sem a legalização, essas pessoas jogam compulsivamente e na maioria dos casos perdem tudo que tem nas mesas de apostas.

 

Os jogos ilegais movimentam hoje no país cerca de R$ 15 bilhões, segundo o Instituto Brasileiro Jogo Legal. É muita grana. Com a legalização haveria a taxação desse valor, o que geraria receitas para União, estados e municípios. Parte dessas receitas poderia ser investida em tratamento para as pessoas com transtorno do jogo compulsivo. A legalização dos jogos no Brasil é um assunto polêmico. Araxá seria beneficiada com essa legalização, pois com a implantação de um cassino no Grande Hotel do Barreiro novos empregos seriam gerados na cidade e a arrecadação do município teria um acréscimo considerável. Eu ainda não consigo dizer se sou a favor ou contra a legalização dos jogos, mesmo admitindo que seria muito bom para a economia da nossa cidade. Continuarei colocando os prós e os contras na balança até formar uma opinião. #McCain #Cassino #Araxá

 

Coluna #prontofalei publicada na edição nº 3773 do Correio de Araxá em 27 de julho de 2019

 

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