#prontofalei – Vamos falar do Fliaraxá

A 8ª edição do Festival Literário de Araxá (Fliaraxá) movimentou a cidade no feriadão de Corpus Christi. Milhares de pessoas foram até a Estância Hidromineral do Barreiro prestigiar o evento. De acordo com a organização, 30.567 pessoas visitaram o Fliaraxá neste ano. O evento aconteceu durante cinco dias e foi realizado na área interna e externa do Tauá Grande Hotel. Foram cerca de 180 convidados e 270 atividades realizadas. Além de duas livrarias, o Fliaraxá teve também uma extensa praça de alimentação e um palco para as apresentações musicais.

 

A estrutura montada na área externa do Tauá Grande Hotel agradou ao público que prestigiou o evento, mas ficou nítido que os recursos captados para realizar o Fliaraxá neste ano foram menores do que em 2018. No ano passado a estrutura foi melhor. Mas antes de falar da estrutura é importante destacar que a chegada ao evento foi complicada para algumas pessoas que se credenciaram previamente no site do festival. A intenção do credenciamento prévio é justamente evitar longas filas para realizar o procedimento na recepção do Fliaraxá. Porém, algumas pessoas não conseguiram retirar o ingresso digitando o CPF no totem do autoatendimento e tiveram que ir para a fila.

 

Não foi um cartão de visita legal para o festival. A impressão foi de desorganização. E muitas vezes a primeira impressão é a que fica. Falhas acontecem, mas a organização do Fliaraxá tem que repensar essa situação e encontrar outra maneira de acesso ao evento que não cause chateação aos visitantes logo na entrada. Voltando a falar da estrutura do festival, no ano passado os visitantes já se deparavam com a principal livraria do evento assim que entravam no recinto. Foi bacana porque todo mundo passava pela livraria, que era imensa. Neste ano a livraria foi montada dentro do Grande Hotel, no salão Minas Gerais, que é um local muito bonito.

 

É inegável que a livraria montada no salão ficou com um charme especial, mas fiquei com a impressão de que ela diminuiu em relação a 2018 e ofereceu menos títulos do que o ano passado. Muitos visitantes não foram até esta livraria e ficaram mesmo só na praça de alimentação. Era preciso encarar uma escadaria para chegar ao salão Minas Gerais. Passando por dentro do Grande Hotel também é possível ter acesso ao salão sem enfrentar a tal escadaria, mas não vi nenhuma informação a respeito dessa rota alternativa para cadeirantes ou outras pessoas com mobilidade reduzida. Já a livraria Nobel mais uma vez foi montada no térreo do hotel, onde os visitantes tinham acesso mais fácil.

 

No ano passado a praça de alimentação era coberta. Neste ano não foi. O público ficou exposto ao sol durante o dia e ao frio nas geladas noites do Barreiro. Cerca de 35 expositores, a maioria de Araxá, marcaram presença na área de gastronomia do festival e na Feira de Economia Criativa. O Fliaraxá também teve muita música boa e de qualidade no palco do evento, bem diferente do que ouvimos hoje em dia ao ligar o rádio em determinadas emissoras. A dificuldade de estacionamento no Barreiro continua sendo um dos grandes problemas dos eventos que acontecem na estância hidromineral. Tomara que o governador Romeu Zema encontre uma solução, pois ele visitou o Fliaraxá e viu de perto a dificuldade que é estacionar no Barreiro em dias de grande movimento.

 

Eu prefiro o Fliaraxá no Barreiro do que na Fundação Cultural Calmon Barreto, que também é um belo local. Acho que a estrutura do Grande Hotel combina perfeitamente com o evento. Porém, desde que o evento passou a ser realizado no Barreiro muita gente começou a dizer que o festival foi elitizado. E talvez tenha sido mesmo. O acesso ao evento era mais fácil quando ele acontecia na Fundação Cultural Calmon Barreto, que tem um ponto de ônibus em frente, na praça Arthur Bernardes, por onde passam diversas linhas. Ir para o Barreiro é mais complicado para quem não possui um veículo.

 

Mas o Fliaraxá não se afastou da comunidade araxaense depois que o evento passou a ser realizado no Barreiro. As atividades que acontecem antes do festival em Araxá foram intensificadas. O Pré-Fliaraxá teve várias ações na cidade, principalmente nas escolas. Crianças, adolescentes e jovens participaram dessas atividades. Um dos pontos altos do Fliaraxá é o concurso de redação realizado na cidade que descobre novos talentos todos os anos. Neste ano, o concurso de redação envolveu cerca de 14.500 alunos de 36 escolas públicas e particulares de Araxá. Sensacional.

 

Considero o Fliaraxá o melhor evento da nossa cidade e já estou na expectativa da edição de 2020, cujo tema será “Arte, Leitura e Tecnologias”. Participo do evento desde a sua 1ª edição em 2012, quando tive a oportunidade de entrevistar o escritor e cartunista Ziraldo, que foi o homenageado daquele ano. Entendo que a organização do festival necessita da captação de recursos para realizar o evento, seja por meio da Lei Rouanet ou de patrocinadores, mas acho que para 2020 o ideal seria montar uma estrutura que se aproxime daquela montada em 2018. Isso, claro, se os valores arrecadados foram suficientes.

 

A importância do Fliaraxá pode ser resumida nesta frase de André William Segalla: “Ler é viver mil vidas diferentes em uma única existência”. Ter um festival em Araxá que incentiva a leitura e aproxima autores de leitores é um privilégio. Ler é abrir a mente. É uma arma na batalha contra a ignorância, o ódio, a intolerância e a falta de diálogo. Certamente o nosso mundo seria melhor se as pessoas abrissem um livro para ler ao invés de irem para as redes sociais ofender quem tem um pensamento contrário. #Fliaraxá

 

Coluna #prontofalei publicada na edição nº 3769 do Correio de Araxá em 29 de junho de 2019

 

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