#prontofalei – Cresce o desinteresse pela seleção brasileira

Gosto de futebol e cresci vendo a seleção brasileira entre as melhores do mundo. Comemorei muito a conquista do tetracampeonato mundial em 1994, pois foi a primeira vez que vi o Brasil ganhar a Copa do Mundo. Depois, em 2002, mais uma comemoração com a conquista do penta. Tive o privilégio de ver nossa seleção ser campeã do mundo duas vezes em um intervalo de oito anos, lembrando que em 1998 o Brasil ainda foi vice-campeão perdendo para a França na final. Naquela época a seleção canarinho estava no topo do mundo e era temida por seus adversários.

 

Me acostumei a ver grandes jogadores vestindo a camisa da seleção brasileira, como Romário, Ronaldo, Rivaldo, Bebeto, Ronaldinho Gaúcho, Jorginho, Cafu, Leonardo, Roberto Carlos, Taffarel, Aldair e Marcos. Todos campeões mundiais. Os torcedores sabiam de cor a convocação da seleção e escalavam o time titular com a maior facilidade. Dava gosto ver o Brasil jogar. E antes disso a seleção também teve os campeões mundiais Garrincha, Djalma Santos, Didi, Nilton Santos, Carlos Alberto Torres, Gérson, Tostão, Rivelino, Jairzinho e Pelé, o maior jogador de todos os tempos. E não dá para falar de seleção brasileira sem fazer uma menção honrosa ao timaço da Copa de 1982 que não conquistou o título, mas encantou o mundo com Luizinho, Oscar, Leandro, Júnior, Cerezo, Falcão, Sócrates, Zico e Éder Aleixo.

 

Hoje os tempos são outros. A seleção brasileira já não ganha uma Copa do Mundo há 17 anos e a torcida está cada vez mais desinteressada por ela. Hoje o torcedor precisa fazer uma pesquisa no Google para saber quem são alguns jogadores convocados para a seleção. Com atletas saindo do país cada vez mais cedo em busca da estabilidade financeira, mesmo antes de se destacarem em times brasileiros, tornou-se comum a lista de convocados ter jogadores praticamente desconhecidos da maioria da torcida verde e amarela. Jogar no exterior é um dos principais requisitos que o jogador tem que ter hoje para ser convocado para a seleção, mesmo que seja no fraco futebol chinês.

 

Isso tudo afasta a seleção do torcedor brasileiro, que toda vez que tem a oportunidade de ver o Brasil jogando em nosso país substitui os aplausos pelas vaias. É isso que estamos vendo agora na Copa América disputada no Brasil. Aliás, essa competição é um verdadeiro fiasco de público, pois ninguém está disposto a pagar ingressos caros para ver Venezuela, Paraguai, Bolívia, Equador ou os convidados Catar e Japão. A Copa América está muito abaixo da Eurocopa em todos os sentidos, mas a Conmebol quer cobras valores europeus pelos ingressos. O resultado dessa falta de inteligência pode ser visto nos estádios praticamente vazios. A média de público é ridícula.

 

Voltando a falar da seleção brasileira, o time de Tite foi vaiado nas duas vezes em que entrou em campo até agora na Copa América. E vaias merecidas, pois o futebol apresentado foi pífio. Os jogadores foram para o intervalo no jogo contra a Bolívia debaixo de vaias. Depois, no segundo tempo, a seleção venceu, mas a reação da torcida foi fria. Disseram que o torcedor de São Paulo, onde o jogo foi realizando no estádio do Morumbi, é muito exigente e que em Salvador seria diferente. O torcedor baiano até fez festa no início do jogo na Arena Fonte Nova, mas vaiou muito a seleção após o empate sem gols com a seleção nota 5 da Venezuela.

 

Abro aqui um parêntese para falar do contestado árbitro de vídeo, o VAR. Eu considero que o uso dessa tecnologia é muito importante para evitar erros que interfiram no resultado da partida. O Brasil teve dois gols muito bem anulados pelo VAR na partida contra a Venezuela. Se não fosse o árbitro de vídeo a seleção brasileira teria vencido por 2 a 0 em dois erros graves da arbitragem e a Venezuela teria sido muito prejudicada. É claro que o uso do VAR precisa ser aperfeiçoado, principalmente no Campeonato Brasileiro, mas trata-se de um caminho sem volta. Os torcedores têm o direito de não gostar e de criticar o VAR, mas terão que conviver com essa tecnologia criada para o bem do futebol. Antes uma comemoração de gol em vão do que um time prejudicado por um erro de arbitragem. É o que penso.

 

O Brasil veio para a Copa América sem o seu principal jogador, o problemático Neymar. O rapaz é craque em se envolver em confusão. O cara se acha esperto, mas caiu na lábia de uma moça que fez uma acusação grave contra ele. Pelo que foi apurado até agora pela polícia, a acusação parece mesmo ser falsa, mas Neymar teve a sua desgastada imagem ainda mais arranhada. Neymar tem se destacado nos últimos anos muito mais pelas polêmicas em que se envolve do que pelo seu futebol. Ele já disputou duas edições da Copa do Mundo e não passou de mero coadjuvante, lembrando que em 2014 aqui no Brasil ele se contundiu e escapou daquele vergonhoso 7 a 1 contra a Alemanha. Tenho minhas dúvidas se o resultado seria diferente caso ele tivesse jogado.

 

Vejo os torcedores mais jovens enaltecendo Neymar. É compreensível, pois esses não viram todos aqueles grandes jogadores que citei no início da coluna e pelo nível do futebol brasileiro é normal acharem que o tal menino Ney seja um craque incomparável. Na minha opinião ele ainda está abaixo de Ronaldo, Ronaldinho, Rivaldo e Romário, para citar só os que eu vi jogar. Neymar foi coadjuvante de Lionel Messi no Barcelona e agora no PSG, para onde foi com o objetivo de ser a principal estrela, é apenas um causador de problemas. Saber que o Brasil depende de Neymar para conquistar a próxima Copa do Mundo me desanima bastante.

 

Não posso terminar essa coluna sem falar das meninas da seleção brasileira que estão disputando a Copa do Mundo na França. Sem grande badalação e com salários modestos em relação ao que ganham os jogadores da seleção masculina, as meninas estão tendo um bom desempenho dentro do que é esperado delas, já que aqui no Brasil o futebol feminino nunca foi tratado como deveria pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF). As jogadoras da nossa seleção tiveram que superar a falta de apoio para vestirem a amarelinha. E elas vestem com amor, bem diferente de muitos da seleção masculina. E se temos o rei Pelé, o nosso país tem também a rainha Marta, a melhor jogadora do mundo e orgulho do Brasil. Entre a Copa do Mundo de Futebol Feminino e a Copa América eu fico com a primeira. #SeleçãoBrasileira

 

Coluna #prontofalei publicada na edição nº 3768 do Correio de Araxá em 22 de junho de 2019

 

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