#prontofalei – Sem imprensa livre não existe democracia

Hoje é o Dia da Imprensa. É um dia para refletirmos a importância da imprensa em nosso país. Não existe democracia sem imprensa livre. A imprensa é um dos pilares que sustentam a democracia. No período negro da história do nosso país, que durou 21 anos, a imprensa foi censurada pela ditadura militar. Os ditadores da época sabiam que não poderiam cometer suas atrocidades diante de uma imprensa livre e por isto usaram a força para censurá-la. Jornalistas que não se curvaram ao regime ditatorial foram perseguidos e até mortos, como no caso de Vladimir Herzog. E o regime era covarde, pois negou o assassinato de Herzog e ainda montou uma cena ridícula para tentar convencer a opinião pública de que o jornalista tinha cometido suicídio.

 

Hoje vivemos na era das redes sociais onde as pessoas sem um pingo de discernimento acreditam em qualquer bobagem escrita por perfis fakes ou em sites sem nenhuma credibilidade que criam notícias falsas para atender ao interesse de alguém. A proliferação de fake news tem como combustível a limitação do senso crítico de grupos de indivíduos que querem ler apenas aquilo que combina com a sua opinião. Tudo que seja contrário ao modo de pensar desses grupos é atacado por eles, que não fazem a menor ideia do significado da palavra diálogo. A intolerância cega o indivíduo que passa a repetir ladainhas criadas por aqueles que querem enfraquecer a imprensa para que os seus interesses não sejam atingidos.

 

O combate à corrupção no Brasil, com a prisão dos poderosos do colarinho branco, acontece graças ao incansável trabalho das polícias, Ministério Público e Poder Judiciário. Porém, é inegável a importância da imprensa para o sucesso desse trabalho. A Operação Lava Jato é um sucesso porque desde o início a imprensa divulga todas as suas ações e investigações. O calvário de políticos e empreiteiros começou assim que os brasileiros foram tomando conhecimento dos seus crimes de corrupção através da imprensa. O clamor popular pela punição dos corruptos que roubaram bilhões de reais dos cofres públicos só foi possível porque tudo veio à tona por meio da imprensa.

 

Alguém acredita mesmo que não havia corrupção no Brasil durante a ditadura militar? É óbvio que havia. O reinado das empreiteiras teve início justamente quando os militares estavam no poder. Mas nada era investigado. Nem pelos órgãos de segurança pública e nem pela imprensa censurada que não podia fazer o jornalismo investigativo. E mesmo se fosse descoberto algum caso de corrupção nos governos tudo era varrido para debaixo do tapete e nada era divulgado, pois a imprensa estava amordaçada pela censura. Hoje, na democracia, a imprensa divulga tudo, como aconteceu aqui em Araxá em 2015 na prisão de ex-prefeitos e vereadores. Polícias, Ministério Público e Poder Judiciário reconhecem a importância da parceria com a imprensa para o sucesso de seus trabalhos.

 

É comum vermos nas redes sociais os apoiadores do presidente Bolsonaro atacando a imprensa. TV Globo, revista Veja e o jornal Folha de S.Paulo são líderes em seus segmentos e os alvos preferidos desses ataques. Porém, isso não é nenhuma novidade. Acontecia da mesma maneira nos governos petistas dos ex-presidentes Lula e Dilma. Os políticos que estão no poder sempre atacam a imprensa quando são criticados e instigam os seus apoiadores a fazerem o mesmo. Apesar de não ter inventado o Mensalão, o Petrolão e nem o assessor laranja do filho de Bolsonaro, a imprensa é atacada pelos políticos e seus seguidores por noticiar os fatos. Sempre existirá uma massa de manobra para atacar a imprensa, independentemente de quem esteja no poder. Pode ser Lula, Dilma ou Bolsonaro. Pode ser esquerda, direita ou centrão. Mortadela ou coxinha.

 

Atualmente parte da imprensa tem tomado partido na política brasileira. É o caso da rádio Jovem Pan, cuja programação é retransmitida em Araxá. A rádio ajudou a eleger Bolsonaro e agora faz campanha para a aprovação da Reforma da Previdência. Seus principais jornalistas se revezam para defender o governo e desqualificar quem contesta o atual presidente. Nesta semana a emissora afastou um comentarista político que criticava duramente o Governo Bolsonaro assim como já fazia anteriormente com a ex-presidente Dilma. Mas como a rádio é pró-Bolsonaro o profissional foi afastado, pois suas críticas interessavam apenas quando eram sobre a esquerda. É muito triste um veículo de comunicação censurar um jornalista, mas infelizmente isso acontece com muito mais frequência do que possamos imaginar na imprensa brasileira.

 

Falando em censura, recentemente tivemos um péssimo exemplo vindo do Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro Alexandre de Moraes censurou uma reportagem do site O Antagonista e da revista Crusoé que citavam o presidente do STF, Dias Toffoli. Felizmente o caso teve grande repercussão contra a censura imposta pelo ministro que se viu obrigado a revogar a sua decisão. O episódio mostrou que ainda existem muitas pessoas sensatas em nosso país que não perderam a noção de que sem imprensa livre não existe democracia.

 

Fazer imprensa no interior não é fácil. Acabo de completar 17 anos de atuação na imprensa de Araxá. Tive mais alegrias do que tristezas em minha carreira, mas não deixei de ser perseguido em determinada época por quem achava que mandava na cidade por ocupar um cargo eletivo. A imprensa local cresceu muito, mas quantidade não significa qualidade. Araxá tem excelentes profissionais de imprensa. É claro que também têm uns que fazem apenas sensacionalismo visando muitas curtidas e banners em seus sites. Mas esses são minoria e a população de Araxá sabe separar o joio do trigo. Neste 1º de junho, Dia da Imprensa, deixo aqui o meu abraço a todos os companheiros de profissão que trabalham com seriedade e responsabilidade em prol de uma sociedade melhor. Viva a imprensa! Viva a democracia! #ImprensaLivre

 

Coluna #prontofalei publicada na edição nº 3765 do Correio de Araxá em 1º de junho de 2019

 

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