#prontofalei – Mudar para não fechar as portas em 2019

Mesmo enfrentando todo tipo de adversidade no decorrer da competição, jogadores e comissão técnica do Araxá Esporte fizeram uma boa campanha no Campeonato Mineiro da 2º Divisão e por pouco não conseguiram o acesso ao Módulo 2. O Ganso foi derrotado nos pênaltis no último final de semana pelo Coimbra, que ficou com vaga. O técnico do time araxaense, Rogério Henrique, sintetizou bem o que viveu o Alvinegro Mais Querido no campeonato em entrevista concedida logo após o jogo da eliminação. Ele disse que o Coimbra fez tudo certo fora de campo, enquanto que o Araxá fez tudo errado fora das quatro linhas. Jogadores e comissão técnica não receberam nenhum salário desde que chegaram na cidade para defender as cores do Ganso na competição.

 

Você já imaginou trabalhar quatro meses sem receber nenhum centavo de salário? Pois foi isso que aconteceu com os jogadores e a comissão técnica, que mesmo assim quase conseguiram tirar o Araxá da última divisão do futebol mineiro. O presidente do clube, Jeferson Leite, colocou o time no campeonato sem saber se teria ou não patrocinadores para arcar com as despesas. Ele montou o time na esperança de contar com, pelo menos, os patrocinadores do ano passado, quando o Ganso fez uma campanha ridícula no Módulo 2 e foi rebaixado para a terceira divisão. É bom informar para quem é leigo que apesar do nome da competição ser Campeonato Mineiro da 2º Divisão, ela corresponde à terceira divisão. Existem outras duas acima dela.

 

Talvez o leitor esteja se perguntando o motivo dos jogadores não terem abandonado o time durante o campeonato, já que não receberam os seus salários. Eu teria abandonado o barco logo no segundo mês sem salário, afinal as contas não esperam no fim do mês. O time não passou a vergonha de abandonar a competição graças ao técnico Rogério Henrique e ao diretor de futebol Estefano Caetano. Os jogadores confiam neles e sabem que os dois estarão em outro time agora em novembro, já visando as competições de 2019, e quiseram mostrar serviço para tentar garantir uma vaga na próxima temporada. Se não fosse por isso, muitos teriam pegado as chuteiras e voltado para as suas cidades. Um ou outro foi embora, mas a grande maioria dos jogadores ficou até o fim.

 

A situação no Araxá Esporte foi tão complicada que o time teve que depender de favores de terceiros para conseguir realizar os tratamentos de jogadores contundidos. Isso prejudicou bastante a recuperação de quem se contundiu. Tudo foi difícil. Para conseguir consultas médicas, exames ou medicamentos era preciso contar com a boa vontade de pessoas que estivessem dispostas a ajudar. Quem viu essas dificuldades deve ter pensando umas dez vezes antes de colocar o pé em uma dividida de bola, já que em caso de contusão a recuperação seria lenta. E nenhum time vai contratar jogador contundido para 2019. Diante de todas as dificuldades, o time foi até muito longe na competição, ficando entre os quatro melhores da disputa.

 

Atrair patrocinadores para uma competição como a terceira divisão, que praticamente não tem mídia nenhuma, é muito complicado. Parte da imprensa e muitos torcedores torcem o nariz para essa competição. Se não fosse a dupla Márcio Rosa e Jorge Eustáquio, da Rádio Imbiara FM, que fez as transmissões dos jogos e a cobertura diária do Ganso, quem acompanha o time teria enormes dificuldades para ter acesso ao noticiário do dia a dia do clube. Porém, a falta de patrocinadores teve pouco a ver com o fato do time disputar a última divisão do futebol mineiro. Foi a falta de credibilidade do clube que afugentou as empresas que cogitaram patrocinar o Araxá. O acúmulo de dívidas trabalhistas sepultou a pouca credibilidade que ainda restava ao clube.

 

O time ainda conseguiu viajar para os jogos em outras cidades porque a Prefeitura Municipal reembolsou as despesas das viagens. Caso contrário, o Ganso poderia até ter perdido jogos por WO. E ainda teve a implicância da Federação Mineira de Futebol, a quem o Araxá também deve, que custou a liberar o Estádio Fausto Alvim para os jogos do time alvinegro, que teve que jogar quatro partidas como mandante em Uberaba. Isso aumentou os gastos do clube, que ao invés de tomar as providências para melhorar o gramado antes do início da competição ficou esperando que a Administração Municipal fizesse o serviço. Erro em cima de erro desde o começo. Não deu outra. Tudo que começa mal, acaba mal.

 

Ninguém é obrigado a ser presidente do Araxá Esporte, assim como nenhuma empresa é obrigada a patrocinar um clube atolado em dívidas e sem nenhuma credibilidade. Jogar a responsabilidade pelo fracasso do time em cima de empresas que supostamente deveriam patrocinar o clube é querer tapar o sol com a peneira. O culpado é quem administra o clube. O Ganso agora é conhecido entre os jogadores de futebol como um time caloteiro. Todo mundo que trabalhou e não recebeu do clube neste ano certamente vai procurar os seus direitos na Justiça do Trabalho. Serão mais dívidas trabalhistas que vão inviabilizar totalmente o clube para a próxima temporada. Além disso, qual jogador vai querer assinar contrato com um time que não paga salários?

 

A palavra mais ouvida neste momento no Brasil é mudança. E o Araxá Esporte precisa passar por uma mudança profunda, pois caso contrário fechará as portas em 2019. É preciso mudar tudo. Do presidente ao Conselho Deliberativo. O primeiro passo é encontrar pessoas atuantes da nossa comunidade que tenham interesse em participar do resgaste do Ganso. Não é fácil, mas um grupo tem que ser formado e agir energicamente. Esse grupo administraria o Ganso, renegociaria as dívidas, atrairia os patrocinadores que se afastaram do clube e formaria um novo Conselho Deliberativo, pois o atual é apenas decorativo. Se o presidente Jeferson Leite e os atuais conselheiros se agarrarem aos seus cargos e impedirem essa mudança, o apaixonado torcedor do Araxá Esporte ficará sem o time por um bom tempo. Não é hora de vaidades. É hora de iniciar um planejamento para salvar o Ganso. #MudançaNoGansoJá

 

Coluna #prontofalei publicada na edição nº 3734 do Correio de Araxá em 27 de outubro de 2018

 

 

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