#prontofalei – A urna eletrônica não é a culpada

O dia 7 de outubro está chegando. Daqui a 22 dias acontece o primeiro turno das eleições gerais. Milhões de brasileiros irão às urnas para eleger o presidente da República, governadores, senadores e deputados. A eleição deste ano é a 11ª em que os votos serão registrados na urna eletrônica. Já se passaram 22 anos desde a estreia da urna eletrônica. A eleição de 1994 foi a última em que todos os brasileiros votaram utilizando uma cédula de papel. A urna eletrônica foi utilizada pela primeira vez na eleição municipal de 1996 em 57 cidades com mais de 200 mil eleitores. Cerca de 32 milhões de eleitores, um terço do eleitorado da época, estrearam a urna eletrônica.

 

A eleição municipal de 1996 foi a última em que os araxaenses votaram em cédulas de papel. A urna eletrônica foi utilizada pela primeira vez em Araxá nas eleições gerais de 1998. Naquele ano a votação eletrônica aconteceu em 537 municípios brasileiros. Somente na eleição municipal do ano 2000 houve a votação em urna eletrônica em todas as cidades do país. Votei em cédulas de papel somente em duas eleições. As demais foram na urna eletrônica. Já são tantas eleições usando o teclado da urna para votar que nem me lembro mais de como foi votar com uma caneta na mão.

 

Considero a votação eletrônica um enorme avanço do processo eleitoral brasileiro. Porém, muita gente não pensa assim e questiona a confiabilidade da urna eletrônica. Os questionamentos não se justificam, pois nunca houve nenhum caso de fraude em uma urna eletrônica no Brasil. Questionar a lisura do pleito eleitoral colocando em dúvida se a urna eletrônica é confiável ou não me parece mais choro de perdedor. Ao perder a eleição para a Prefeitura do Rio de Janeiro em 2000, Leonel Brizola atacou a votação em urna eletrônica dizendo que com o equipamento foi perdido o direito a recontagem dos votos e pediu a volta da cédula de papel.

 

Brizola queria apenas desviar o foco da sua derrota, pois certamente não pediria recontagem se a votação ainda fosse em cédulas de papel, afinal ele teve apenas 9% dos votos válidos naquela eleição. Citei esse exemplo do Brizola para ilustrar a minha opinião de que questionar o sistema de votação eletrônica é coisa de quem perdeu ou sabe que vai perder uma eleição. Para quem não se lembra da época do voto em cédulas de papel, vale lembrar que a facilidade de fraude na apuração era muito grande. A apuração era feita manualmente e um mesário que fosse desonesto podia perfeitamente transformar um voto em branco em um voto para o candidato de sua preferência.

 

Já na votação eletrônica os boletins das urnas com todos os votos são impressos imediatamente após o término da eleição. Fiscais dos partidos têm acesso imediato aos boletins para a conferência dos votos. Não é preciso aguardar os disquetes das urnas chegarem até o local da apuração. Participei da cobertura jornalística de diversas apurações aqui em Araxá. Em quase todas as seções havia alguém da equipe da rádio que anotava os resultados dos boletins das urnas para que pudéssemos fazer a nossa apuração extraoficial, que obviamente sempre batia com a oficial.

 

A cidade de Tapira tem poucas seções eleitorais. Lá os vitoriosos comemoram bem antes dos disquetes chegarem aqui em Araxá para a apuração, pois é rápido somar os resultados dos boletins emitidos pelas poucas urnas eletrônicas utilizadas no pleito. A rapidez da apuração é uma das vantagens do sistema eletrônico. Antes eram dias de apuração no Clube Araxá com as emissoras de rádio transmitindo os votos de seção por seção. Parecia que não terminaria nunca. Os mais saudosistas ainda defendem que era muito melhor aquela lenga-lenga da apuração dos votos de papel.

 

Na tentativa de desqualificar o nosso sistema de votação, algumas pessoas andaram espalhando nas redes sociais que as urnas eletrônicas são utilizadas somente no Brasil e em países como Cuba e Venezuela. É mentira. Canadá e França, por exemplo, também utilizam. Os Estados Unidos utilizam urnas eletrônicas em alguns estados. Como todo equipamento eletrônico está sujeito a falhas, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) realiza testes com hackers que tentam invadir o sistema da urna eletrônica. Se alguma falha é encontrada pelos hackers, o tribunal a corrige imediatamente.

 

Conversando com uma pessoa nesta semana, ela me disse que as urnas são programadas para dar a vitória a determinados candidatos. Isso me parecendo mais uma teoria da conspiração, afinal seria preciso o envolvimento de diversos profissionais do TSE em uma fraude dessa magnitude. Fazer esse tipo de questionamento é duvidar da Justiça Eleitoral do nosso país. Eu não vejo motivos para esse tipo de dúvida. O ser humano tem uma tendência a não assumir erros. Geralmente queremos encontrar algum culpado pelos nossos fracassos. No caso de uma eleição, os candidatos derrotados e seus eleitores preferem apontar um culpado do que aceitar o resultado. E a culpa sempre sobra para a urna eletrônica. Eu confio no voto eletrônico. #UrnaEletrônica

 

Coluna #prontofalei publicada na edição nº 3728 do Correio de Araxá em 15 de setembro de 2018

 

This entry was posted in #prontofalei, Destaques. Bookmark the permalink.

Comments are closed.