Coluna Nilton Ribeiro – O que as crianças aprendem enquanto brincam

Foto: Divulgação.Brincar é crucial para o crescimento social, emocional, físico e cognitivo da criança. É a maneira da qual ela irá aprender sobre seu corpo e sobre o mundo em que vive. Para conseguir isso, ela vai usar os cinco sentidos, principalmente no primeiro ano de vida. O principal objetivo da brincadeira é explorar. E, para uma criança pequena, tudo é experimento, até jogar o prato de comida no chão para ver o que acontece.

 

 

Especialistas em desenvolvimento costumam dizer que brincar é o trabalho da criança, e limpar a bagunça aparentemente é o trabalho dos pais. A brincadeira também pode servir como um espaço para explorar sentimentos e valores, assim como para desenvolver habilidades sociais. Bem antes de se sentir confortável de emprestar o brinquedo favorito para uma irmã, a criança pode primeiramente experimentar oferecê-lo para uma boneca, de mentirinha.

 

 

Os primeiros “obrigados” e ”por favor” espontâneos podem aparecer no meio de uma brincadeira de carrinhos. E que pai ou mãe resiste a desperdiçar um curativo para colocar no ursinho que se machucou? Pela brincadeira, devemos introduzir nas crianças valores fundamentais para a vida futura, como honestidade, companheirismo, lealdade, responsabilidade, persistência e competitividade construtiva.

 

 

Para saber qual a melhor brincadeira para uma criança, precisa saber qual a fase de desenvolvimento que a criança está. Como a brincadeira é a ferramenta que ela usa para entender o mundo, a melhor pista para a brincadeira ideal é a atividade que ela está se esforçando em aprender naquele momento. Por exemplo, se você tem um bebê de 2 meses eles vão adorar móbiles que se mexam e façam barulho. Já um bebê de 3 meses que está aprendendo a segurar objetos, dê a ele brinquedos leves e macios.

 

 

A interação com outras pessoas, especialmente com os pais, é muito importante ao longo do primeiro ano de vida. Bebês novinhos adoram sorrir, observar e gargalhar. Bebês um pouco mais velhos gostam de brincadeiras como “Cadê? Achou!”, e de musiquinhas interativas como a da Dona Aranha, O Sapo não lava o pé, etc.

 

 

Para crianças de 4 a 10 meses de idade, pouca coisa é mais interessante que pôr a mão, bater, jogar, empurrar e interagir em geral com todo tipo de objeto e, é claro, colocá-lo na boca.

 

Foto: Divulgação.

 

Conforme a criança passa do primeiro ano de vida, a brincadeira deixa de ser tão concreta e começa a ser mais imaginativa e mais complexa. É através da brincadeira que ela vai treinar habilidades e qualidades como independência, criatividade, curiosidade e capacidade de solucionar problemas.

 

 

Já uma criança maiorzinha, com 1 ano, precisa de um pouco mais de “emoção”, como brincar com carrinhos ou panelinhas. Se, com 1 ano, ele estiver curioso sobre o fenômeno de causa e efeito, brinque de esconde-esconde debaixo de mesas e cadeiras. Empregar objetos de uso diário, imitando os adultos, é uma das brincadeiras preferidas de crianças de 1 ano de idade. As atividades são várias: falar ao telefone, cozinhar, dirigir, varrer… É a imaginação crescendo a cada dia.

 

 

Brincadeiras simbólicas são mais comuns por volta dos 2 anos de idade, onde envolve a criação de algo a partir do nada. Uma caixa de sapato pode se transformar num ônibus, com barulhos do motor, por exemplo. Qualquer outro objeto pode muito bem virar comidinha, por isso é importante tomar cuidado com coisas que possam ser engolidas.

 

 

Perto de fazer 3 anos de idade, a criança revela seus dotes de atriz ou ator, passando a representar papéis diferentes, como ser médico, ser professor, ser mãe de princesa, ser pai de super-herói, e por aí vai. Nessa idade as fantasias passam a ser um dos brinquedos favoritos.

 

 

Brincar é se envolver em uma atividade divertida que envolva pessoas, objetos ou movimento, e não precisa necessariamente de um brinquedo.

 

 

Qualquer coisa, desde fazer bolhas de sabão, a cantar, ou correr pela casa, pode ser considerada brincadeira. Você certamente já viu um bebê se divertir a valer com a embalagem do presente. Por aí dá para perceber como os critérios são amplos.

 

 

Você não precisa fazer isso todas às vezes, mas é bom lembrar que você é o brinquedo preferido do seu filho, e qualquer coisa em que você estiver envolvido vai ser mais rico e divertido para ele. Aproveite para conversar com a criança enquanto brinca, para ao mesmo tempo ajudá-la a desenvolver a linguagem.

 

 

Brincar também cansa, e uma brincadeira nova exige energia extra. Procure momentos de bom humor, quando a criança estiver de barriguinha cheia e com o sono em dia.

 

 

Cada criança tem um limite diferente para a quantidade de estímulo que recebe. Quando seu filho começar a ficar irritado, cansado ou acelerado demais, é melhor fazer um intervalo, por mais que você e as outras pessoas estejam se divertindo.

 

 

Tanto a brincadeira “solo” como a em grupo são benéficas ao desenvolvimento. Dependendo do temperamento da criança, pode ser que ela prefira grupos pequenos ou então brincar sozinha. Procure não forçá-la.

 

 

Você pode sugerir brincadeiras novas e apresentar opções de atividades, mas a criança deve ser a dona da brincadeira. Afinal de contas, o objetivo é se divertir, mesmo que ela não esteja seguindo as regras ou que esteja fazendo o carrinho voar em vez de andar na pista.

 

 

Até os 3 anos, a criança ainda é pequena para seguir regras. Procure se controlar e deixar que a criança decida o destino da brincadeira, mesmo que você não concorde, a não ser que haja questões de segurança envolvidas, aí é sua obrigação intervir.

 

 

As dicas foram dadas. Agora, vamos brincar?!

 

 

Nilton Ribeiro. Foto: Divulgação.Nilton Ribeiro Júnior

Fisioterapeuta pediátrico no Centro de Atendimento a Criança (CAC).

Fisioterapeuta no Centro de Especialização e Reabilitação de Araxá-MG/APAE (CER).

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