#prontofalei – O futuro de Temer é a cadeia

Presidente Michel Temer. Foto: Divulgação.A pesquisa do instituto Datafolha divulgada no último fim de semana comprovou o que todo brasileiro está cansado de saber. Michel Temer é o presidente da República mais impopular da história do Brasil. A sua reprovação bateu novo recorde ao alcançar 82%. A greve dos caminhoneiros certamente foi a responsável por aumentar a porcentagem de brasileiros que consideram o governo do presidente-tampão ruim ou péssimo. A atuação de Temer durante o movimento grevista que parou o Brasil foi totalmente desastrosa e ficou claro que ele não tem pulso para governar o país.

 

Temer não foi eleito presidente do Brasil. Ele era apenas um vice-presidente sem utilidade nenhuma para o país quando assumiu o cargo devido ao impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. Mas o cargo não caiu no colo de Temer. Ele articulou com os seus comparsas do MDB a queda de Dilma. Ele desejava a Presidência e como nunca teria votos para alcançá-la preferiu agir na surdina para chegar ao poder. O impeachment aconteceu conforme determina a Constituição Federal, mas para milhões de brasileiros tudo não passou de um golpe. Temer conseguiu o que queria, mas é visto apenas como um presidente-tampão. Aliás, ele é isso mesmo. E só.

 

O governo Temer é uma vergonha desde o início. Ele nomeou ministros oriundos da sua quadrilha do MDB que estão atolados em denúncias de corrupção. Um deles, Geddel Vieira Lima, fez pressão em um colega de ministério para a liberação de um prédio na Bahia onde pretendia morar, pediu demissão depois que o caso veio à tona e hoje reside no presídio da Papuda, pois a Polícia Federal descobriu suas impressões digitais nos R$ 51 milhões encontrados em um apartamento utilizado por ele. Dinheiro não dá em árvore e nem brota do chão. O dinheiro encontrado no apartamento de Geddel é fruto do trabalho sujo feito por ele e sua quadrilha de corruptos. É dinheiro de propina.

 

Um governo que teve um ministro do naipe de Geddel não pode nunca ser levado a sério. Temer disse que nomearia um ministério de notáveis. Balela. O ministério serviu apenas para abrigar políticos enrolados com a Justiça que necessitavam de foro privilegiado. Exemplo disso é Moreira Franco. Temer criou um ministério só para blindá-lo. Moreira foi citado diversas vezes por delatores da empreiteira Odebrecht na Operação Lava Jato. Ele tinha até um apelido na planilha de propina da Odebrecht: Angorá. Temer vergonhosamente o protegeu com o foro privilegiado para que ele possa ser investigado e julgado apenas na esfera do Supremo Tribunal Federal (STF).

 

E o que dizer de Eliseu Padilha, o ministro da Casa Civil de Temer? Representante do que há de pior na política brasileira, Padilha é acusado por delatores da Odebrecht de receber pelo menos R$ 11,5 milhões em propina nos últimos 23 anos. E ainda tem Carlos Marun, um desconhecido deputado do Mato Grosso do Sul que ganhou os holofotes como puxa-saco do ex-presidente da Câmara dos Deputados e hoje presidiário Eduardo Cunha. Esse Marun foi nomeado ministro de Temer em dezembro de 2017 e desde então é ele que fala pelo governo. E na maioria das vezes só fala asneira. Trata-se de uma figura estranha que não passa nenhuma credibilidade em suas entrevistas.

 

Um governo composto por figuras como Geddel, Angorá, Padilha e Marun tem mesmo que bater recorde de reprovação popular. E como se não bastassem tantos pontos negativos, o próprio Temer está atolado até o pescoço em denúncias de corrupção. Ainda sob o comando do contestado Rodrigo Janot, a Procuradoria-Geral da República fez duas denúncias contra Temer e agora, sob o comando de Raquel Dodge, se prepara para fazer mais uma. Por decisão da Câmara dos Deputados, as denúncias contra Temer não tiveram prosseguimento e ele permaneceu no cargo de presidente-tampão. Mas a partir de 1º de janeiro de 2019, quando felizmente ele não estará mais na Presidência, as denúncias voltarão ao seu curso normal.

 

Pelas acusações constantes nas denúncias da Procuradoria-Geral da República e pelas provas que aparecem toda semana contra ele em outros casos, Temer terá um futuro semelhante ao do ex-presidente Lula, de Geddel, de Eduardo Cunha e de outros poderosos que foram parar atrás das grades por corrupção. O futuro de Temer é a cadeia. O presidente-tampão é uma vergonha para o país. Ele posa de pessoa correta, íntegra e honesta, mas não passa de um político que se encontra na calada da noite, em um porão de Brasília, com um empresário corrupto para tratar de assuntos nada republicanos, mesmo ocupando o cargo de presidente. Um sujeito assim não pode exigir o respeito de ninguém.

 

Para não dizer que um político como Michel Temer não serve para nada, ele pelo menos nos faz ver a importância de também analisarmos os candidatos a vice nas chapas majoritárias. Neste ano elegeremos presidente e governadores que virão acompanhados de vice-presidente e vice-governadores, respectivamente. Temos que analisar a vida dos candidatos a vice também, pois como Temer, são os vices que assumem no caso dos titulares ficarem impedidos de exercer o mandato por algum motivo. Quem votou em Dilma não fazia ideia de quem era Michel Temer e acabou errando duas vezes.

 

Aliás, o Partido dos Trabalhadores é o grande culpado pelo que está acontecendo no país. Primeiro porque bancou a candidatura de uma pessoa totalmente despreparada como Dilma Rousseff, que foi um desastre como presidente da República. A crise econômica que ainda assola o país começou no Governo Dilma. E, segundo, porque o PT fez uma aliança com o MDB visando se perpetuar no poder e abriu espaço para um político de atuação duvidosa ser vice-presidente do Brasil. Temer é fruto do projeto de poder do PT, que acabou sendo apunhalado pelas costas por ele. Lula e sua turma criaram uma cobra que os picou e depois atacou os brasileiros tirando-lhes direitos trabalhistas. Espero que tudo isso sirva de lição para o eleitor, pois em outubro tem uma nova eleição. #PrestemAtençãoNoVice

 

Coluna #prontofalei publicada na edição nº 3715 do Correio de Araxá em 16 de junho de 2018

 

Foto: Reprodução/Correio de Araxá.

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