#prontofalei – Greve, locaute e tucano preso

Divulgação.A greve dos caminhoneiros que parou o Brasil nesta semana, e que foi planejada por empresários do setor de transporte, mostrou que a população não aguenta mais pagar tantos impostos que tornam tudo mais caro neste país. Mesmo diante do desabastecimento causado pela paralisação dos caminhoneiros, os brasileiros apoiaram maciçamente o movimento por enxergar nele um protesto legítimo contra a ineficiência dos políticos que afundaram o país em uma crise profunda e não fazem nada para tirá-lo desta situação onde a população paga o pato pela corrupção do colarinho branco.

 

Uma quadrilha de criminosos engravatados assaltou a Petrobras durante anos e agora os brasileiros são obrigados a pagar uma fortuna para abastecerem os seus veículos. O preço da gasolina em Araxá bateu em R$ 4,99 nesta semana. Um absurdo. Ninguém aguenta mais pagar pela corrupção de quem foi eleito para trabalhar em prol do povo brasileiro e não para roubar o país. A indignação vista em todo o país nesta semana demonstra que a paciência dos brasileiros já acabou. Só espero que essa indignação seja refletida nas urnas em outubro quando elegeremos os nossos representantes.

 

A greve dos caminhoneiros parou o país e teve reflexo direto na vida do cidadão, mostrando mais uma vez a importância desta categoria para a nossa economia. Mas o que no início parecia ser um movimento idealizado por caminhoneiros autônomos se mostrou no decorrer da semana uma greve arquiteta por empresários do setor de transporte. Isso ficou claro na noite da última quinta-feira quando o Governo Federal divulgou as reivindicações dos grevistas que foram atendidas. Uma delas foi a manutenção da desoneração da folha de pagamentos das empresas de transporte. Isso não é reivindicação de caminhoneiro autônomo. É de empresário mesmo.

 

É inegável que a greve teve a adesão de milhares de caminhoneiros autônomos, mas ficou claro que não foram eles que deflagraram o movimento. Vimos muitos caminhões parados nas rodovias brasileiras, mas muitos nem saíram dos pátios das empresas, afinal o movimento foi iniciado por seus patrões que encontraram na greve uma maneira de pressionar o Governo Federal para que as suas reivindicações fossem atendidas. O preço elevado do óleo diesel foi a pauta em comum que uniu os interesses de empresários do setor de transporte e caminhoneiros autônomos.

 

Estamos diante de um locaute, que é a prática pela qual as empresas impedem os empregados de trabalhar em razão dos próprios interesses e não das reivindicações dos trabalhadores. Locaute é ilegal. A lei não permite essa prática e por isso as transportadoras alegam que estão mantendo os seus caminhões parados para não expor os motoristas ao risco de serem atingidos ao tentar passarem pelos bloqueios feitos por caminhoneiros autônomos nas rodovias. É uma boa desculpa. Mas se for comprovado o locaute, as empresas serão penalizadas conforme a legislação.

 

A paralisação dos caminhoneiros causou prejuízos de centenas de milhões de reais ao país. O presidente-tampão Michel Temer demorou a perceber a dimensão do movimento e só agiu quando o caldo estava entornando. A falta de combustíveis nos postos, de alimentos nas prateleiras dos supermercados, de medicamentos nas farmácias e de oxigênio nos hospitais pressionou o governo a agir. Faltou combustível para viaturas policiais e ambulâncias. Produtores rurais jogaram fora o leite que os caminhões não foram buscar. Os funcionários da Mosaic Fertilizantes, de Tapira, não conseguiram chegar na mineradora para trabalhar na quarta-feira.

 

Alguns caminhões parados nas rodovias do Brasil tinham uma faixa com os seguintes dizeres: “Intervenção Militar Já”. Certamente os donos desses caminhões não conhecem a história do nosso país. Se estivéssemos nos tempos da maldita ditadura militar não haveria essa greve de caminhoneiros. Não haveria nenhuma negociação. Os grevistas seriam recebidos a tiros. Ainda bem que foram poucas faixas, o que não manchou a manifestação legítima dos caminhoneiros autônomos. Um ponto negativo desta semana foi a atitude alguns comerciantes que aumentaram o preço de produtos que começaram a faltar no mercado. Se aproveitaram de um momento difícil, onde o consumidor ficou sem escolha, para aumentar o faturamento. Uma atitude desumana, mesquinha e ilegal.

 

Agora, uma coisa precisa ficar bem clara. A greve está sendo vista como um protesto contra os preços dos combustíveis, mas os grevistas estão preocupados mesmo é com o óleo diesel. O Governo Federal vai reduzir o preço do óleo diesel como reivindicaram os grevistas. O brasileiro vai continuar pagando o mesmo valor abusivo pela gasolina. O fim da greve não vai diminuir o preço da gasolina e do etanol. É bom deixar isso claro para evitar que muita gente se decepcione, pois muitos acham que a greve é para reduzir o preço de todos os combustíveis.

 

A greve dos caminhoneiros escondeu no noticiário desta semana a prisão do primeiro político tucano envolvido com corrupção. O ex-governador de Minas Gerais, ex-senador e ex-deputado federal Eduardo Azeredo, do PSDB, finalmente foi preso. Ele foi condenado a 20 anos e um mês de prisão pelos crimes de peculato e lavagem de dinheiro no mensalão tucano. Em breve Azeredo não será o único tucano mineiro a sentar no banco dos réus. Aécio Neves já é réu no Supremo Tribunal Federal (STF) por corrupção e obstrução da Justiça. Mais dia, menos dia, o neto de Tancredo também será julgado. A corrupção precisa ser combatida. Os culpados precisam pagar por seus crimes. E os brasileiros precisam aprender a se manifestar também nas eleições por meio do voto. Só assim teremos um país melhor. #GreveLocautePrisão

 

Coluna #prontofalei publicada na edição nº 3712 do Correio de Araxá em 26 de maio de 2018

 

Foto: Reprodução/Correio de Araxá.

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