#prontofalei – A vítima é a professora

Imagem ilustrativa.Araxá marcou presença no noticiário nacional desta semana devido a um fato lamentável ocorrido em uma escola da cidade. Uma adolescente de 13 anos desferiu uma facada no rosto da sua professora de Português dentro da sala de aula. Isso aconteceu na Escola Municipal Aziz J. Chaer, no bairro Orozino Teixeira. A adolescente foi apreendida pela Polícia Militar. A Polícia Civil informou que a aluna disse em seu depoimento que a sua intenção era matar a professora. Ela agora está no Centro de Reeducação do Adolescente (Cerad) por ter cometido ato infracional análogo ao crime de tentativa de homicídio.

 

De acordo com o que foi divulgado pela imprensa, a menor que deu a facada na professora já demonstrava um comportamento bastante problemático na escola. Ela chegou a ameaçar um vigia da escola e a PM foi chamada. A professora de Português foi testemunha no boletim de ocorrência e isso foi o motivo alegado pela adolescente para tentar matá-la. Felizmente a aluna não conseguiu o seu objetivo. A professora teve um ferimento no rosto e agora se recupera da agressão sofrida. Segundo divulgado pela Secretaria Municipal de Educação, a professora está tendo acompanhamento psicológico.

 

Este fato escancarou para a cidade uma realidade cada vez mais presente nas nossas escolas. Os alunos perderam completamente o respeito por seus professores. O Brasil já lidera o ranking mundial de violência contra professores. Agressões e ameaças contra esses profissionais já se tornaram comuns. Hoje são os alunos que querem mandar na sala de aula e ditar as regras da escola. Uma situação absurda e inimaginável para quem é da minha geração, onde reinava nas salas de aula o respeito dos alunos pelos professores. Respeitávamos professores, diretores e demais profissionais da escola. Infelizmente esse respeito é coisa do passado.

 

A tentativa de homicídio sofrida pela professora do Aziz J. Chaer foi bastante debatida na imprensa local. Ouvi algumas opiniões sensatas e outras nem tanto. O importante é ouvir todas as opiniões, principalmente aquelas das quais não concordamos. Que me perdoem aqueles que não pensam assim, mas a vítima nesta história não é a adolescente. A vítima é a professora. Concordo que o comportamento da menina pode ser fruto da desestrutura familiar como algumas pessoas alegaram. Eu não conheço a realidade da família dessa adolescente. Se for mesmo uma família desestruturada, o início do problema já foi detectado.

 

Rotular a adolescente como uma vítima da situação é incentivar a impunidade. Ela é culpada sim, pois nada justifica tentar matar a professora. Porém, a menina não é a única culpada, pois o seu comportamento já era problemático e, pelo que consta, isso foi ignorado pela família, que não participava efetivamente da vida escolar da menor. Hoje a garota está no Cerad, onde deve permanecer por um tempo. É lógico que ela agora tem que ter um acompanhamento de perto para que possa voltar para a sociedade o mais rápido possível, pois tem uma vida inteira pela frente. Nada está perdido. Ela pode ter uma vida normal depois de cumprir a medida socioeducativa, desde que tenha aprendido a lição. A punição é necessária para que ela sinta na pele que todo ato tem uma consequência.

 

A punição serve de exemplo para todos os adolescentes da cidade. Quem cometer ato infracional vai responder por ele na Justiça como afirmou o juiz da Vara Criminal de Araxá, Dr. Renato Zupo, em palestra proferida para os alunos da Escola Aziz J. Chaer um dia depois do fato ocorrido no local. Ouvi uma conselheira tutelar dizer em um programa de rádio que a adolescente que deu a facada na professora não tem registro de envolvimento com drogas. Ainda bem. Mas a realidade nos mostra que o uso de drogas por crianças e adolescentes tem como uma de suas consequências a violência escolar.

 

O consumo de drogas por essa faixa etária cresceu muito em Araxá de uns anos para cá. E é justamente a desestrutura familiar que leva crianças e adolescentes para as drogas, seja para usar os entorpecentes ou trabalhar para os traficantes. É preciso desenvolver políticas públicas para buscar uma solução a médio e longo prazo para esse terrível problema. É muito comum vermos famílias muito pobres que não param de ter filhos. São pais que não conseguem nem se manter, mas continuam fazendo filhos que não terão os cuidados que toda criança tem o direito de ter. Os pais não cuidam e aí aparecem os traficantes para “cuidar”.

 

A situação é muito complicada e de difícil solução. Quem não aprende o significado da palavra respeito em casa não vai respeitar ninguém. Porém, não adianta nada ficar de braços cruzados vendo a nossa sociedade se deteriorar. Acabar com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), como ouvi nesta semana, não vai resolver nada. O problema não é o ECA, que até tem muitos pontos positivos. O início do problema, como eu já disse, está nas famílias desestruturadas. O problema se agrava com a falta de políticas públicas para ajudar essas famílias. Crianças e adolescentes não têm culpa de nascer nessas famílias, mas cada um responde por seus atos. Isso não pode ser usado como um escudo. Querer transformar agressor em vítima não ajuda em nada a resolver o problema. #ViolênciaEscolar

 

Coluna #prontofalei publicada na edição nº 3710 do Correio de Araxá em 12 de maio de 2018

 

Foto: Reprodução/Correio de Araxá.

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