Coluna Nilton Ribeiro – Brincar com os filhos

Imagem ilustrativa.Fim do expediente, já em casa e depois do jantar, o cansaço, enfim, bate, e é quando as crianças perguntam: “Papai, mamãe, vocês querem brincar?”. Difícil encontrar quem responda ao convite afirmativamente e com empolgação genuína, afinal, com a rotina corrida, é natural que os pais se sintam exaustos no final do dia, sem disposição para se sentar no chão e encarar uma partida de um jogo ou uma rodada de faz-de-conta.

 

Talvez se soubessem que apenas 15 minutos de brincadeira com os filhos fazem toda a diferença para o seu desenvolvimento, estes pais e mães agiriam diferentes. O ato de brincar é fundamental para que a criança desenvolva habilidades intelectuais e emocionais essenciais no futuro.

 

Pesquisas diversas têm comprovado que as crianças que têm pais que brincam tiram melhores notas na escola, são menos anciosas ou nervosas, e se relacionam melhor com as pessoas.

 

Brincar ajuda a criança a ser criativa, a se comunicar, a ter empatia pelos outros. A criança que brinca bastante tira notas melhores ao longo da vida e tem uma série de outras consequências positivas em sua vida adulta porque desenvolve seu cérebro. Brincar traz competências sócio-emocionais à criança, e é um treino para a vida. Elas aprendem a lidar com as regras, a entender seus limites físicos.

 

Imagem ilustrativa.Especialistas concordam que, atualmente, há uma série de obstáculos ao chamado “brincar livre”, quando a criança é a “dona” da brincadeira, inventando e modificando as leis do jogo, fantasiando. Para eles, o número elevado de compromissos nas agendas infantis, por exemplo, dificulta a ocorrência destes momentos de diversão. Por exemplo: têm crianças que além de ir à escola e fazer seus deveres de casa, tem como atividades a natação, o inglês, o espanhol, a aula de dança, a aula de música, entre tantas outras atividades, e quase nunca o brincar. Hoje a criança tem muito mais demandas, acrescentamos coisas à sua rotina que concorrem com o brincar e elas têm cada vez menos tempo.

 

E há também a superproteção dos pais. As pessoas têm cada vez menos filhos, então os protegem com medo de perdê-los, porque são os únicos que elas têm. Há pais que protegem os filhos inclusive na hora de brincar. Mas eles se esquecem que o erro é super importante para a criança aprender. Ninguém é criativo sem ter errado antes.

 

E é nesta lista que entra também a indisponibilidade dos pais. Uma pesquisa realizada em dez países com 12 mil pais de crianças entre cinco e 12 anos aponta que metade dos entrevistados diz não ter tempo para brincar ao ar livre com seus filhos. E, nas famílias consultadas, 84% das crianças brincam no máximo duas horas por dia, 40% brincam menos de uma hora, e 6% nunca brincam ao ar livre em um dia normal.

 

Com suas agendas cheias como a de seus filhos, muitos pais chegam em casa estressados e querem ter eles próprios o seu lazer. Mas para a paternidade e a maternidade deve ser renunciado este laser. Os pais precisam entender também, que o brincar não deve ser colocado como mais uma tarefa de suas agendas, mas sim como um momento de entrega ao seu filho. Assim, o adulto também vai descansar, e aproveitar esse tempo precioso para seus filhos e para eles próprios. O envolvimento da família nos momentos de brincadeira é de suma importância.

 

E esse “brincar concentrado” com aparelhos tecnológicos e modernos, só atrapalharão o desenvolvimento social e motor do seu filho nos primeiros anos de vida, quando não usados de forma moderada. Devemos reconhecer que essas tecnologias trazem sim habilidades aos seus filhos, mas de maneira muito limitada. Algumas crianças até se sentem mais realizadas quando estão usando seus tablets, assistindo seus DVD’s, do que quando estão correndo e pulando.

 

Imagem ilustrativa.É papel dos pais também tomar a iniciativa de apresentar alternativas de brincadeiras que não passem pela tecnologia, especialmente quando a maioria das crianças hoje dizem preferir um tablet a brincar ao ar livre. Além da influência sobre a saúde mental e o desenvolvimento da criatividade das crianças, brincar também é indispensável porque é nos momentos lúdicos que as crianças vão treinar seu papel na sociedade dos adultos.

 

Com isso, o estado de inatividade física prolongada na infância, ou seja, o não brincar, conhecido como sedentarismo infantil, vem ocupando cada vez mais espaço nas discussões de educadores, especialistas e pais. É crescente o número de crianças que, além de passarem horas do dia pouco envolvidas em atividades motoras, quando as realizam, demonstram pequeno interesse por elas.

 

Nós, adultos, sabemos que qualquer atividade física envolve dedicação e esforço, até que se torne prazerosa. Lembre quantas vezes iniciou e depois abandonou um programa de ginástica, dança, luta… As crianças, para gostarem do movimento, precisam, desde cedo, ter um contato intenso com o próprio corpo. Precisam de espaço para se moverem, de materiais para estimularem, de interação, olhar e toque. Fica a dica!

 

Nilton Ribeiro. Foto: Divulgação.Nilton Ribeiro Júnior

Fisioterapeuta pediátrico no Centro de Atendimento a Criança (CAC).

Fisioterapeuta no Centro de Especialização e Reabilitação de Araxá-MG/APAE (CER).

 

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