#prontofalei – A nova secretária e a vereadora executada

Marielle Franco. Foto: Divulgação.A minha intenção para esta coluna era escrever apenas sobre a mudança no comando da Secretaria Municipal de Saúde. Saiu Dr. Alonso Garcia, entrou Diane Dutra. Porém, as execuções covardes de uma vereadora no Rio de Janeiro e do seu motorista me fizeram repensar. Decidi, então, escrever sobre os dois assuntos. Não posso deixar de abordar um tema local tão relevante como a mudança ocorrida nesta semana no primeiro escalão do Governo Municipal, mas também não posso deixar passar os assassinatos brutais de duas pessoas bem debaixo do nariz do Exército, que tomou as ruas da capital carioca há um mês com a intervenção federal decretada pelo presidente-tampão Michel Temer.

 

Começo com a mudança que o prefeito Aracely de Paula teve que fazer no seu secretariado. Ele não queria a saída do Dr. Alonso do comando da Secretaria de Saúde, mas teve que aceitar o seu pedido de exoneração, pois o médico será candidato único na eleição para a presidência da Unimed Araxá. Dr. Alonso assumiu a secretaria em abril de 2016 substituindo a vice-prefeita Lídia Jordão, que comandava a pasta desde quando tomou posse ao lado do prefeito Aracely em novembro de 2014, depois que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou a cassação do ex-prefeito Jeová Moreira.

 

Dr. Alonso realizou um bom trabalho na Secretaria de Saúde. A Unidade de Pronto Atendimento (UPA), que é um avanço na saúde pública de Araxá, foi inaugurada na gestão do médico. Além disso, a Prefeitura gastou R$ 52 milhões na área da saúde no ano passado, o que corresponde a 20,71% da arrecadação total do município em 2017. Outro ponto que me chamou a atenção durante a gestão do Dr. Alonso foi o trabalho de prevenção ao mosquito Aedes aegypti realizado pela secretaria. Neste ano, Araxá não teve nenhum registro de dengue ou outra doença transmitida pelo mosquito até agora, o que mostra a eficácia do trabalho realizado.

 

O comandante da Secretaria de Saúde até a última terça-feira, dia 13, era o Dr. Alonso, mas é claro que os resultados positivos da sua gestão não foram conquistados sozinhos. O médico contou uma equipe que confiou na sua proposta de trabalho e o ajudou a alcançar os seus objetivos. Entre a equipe destaco a enfermeira Telma Di Mambro, que é assessora de Ações de Saúde da secretaria. Telma foi o braço direito do Dr. Alonso e imaginei que ela fosse ser a escolhida para ser a nova secretária municipal de Saúde. Dr. Alonso deixa de ser secretário, mas continua na secretaria coordenando a área médica da UPA.

 

A nova secretária de Saúde é Diane Dutra, que até receber o convite do prefeito Aracely ocupava o cargo de superintendente da Santa Casa de Misericórdia. Ela foi corajosa ao assumir o cargo logo após o hospital ser envolvido em um escândalo de desvio de dinheiro público, em que o provedor e o tesoureiro da época foram presos pela Polícia Civil. Diane mostrou muita competência para superar um dos momentos mais difíceis da história da Santa Casa. Ela soube administrar as dificuldades financeiras do hospital e teve conquistas importantes, como o término da construção do Centro de Quimioterapia em parceria com o padre Márcio André e o deputado estadual Bosco. O prefeito Aracely acertou ao escolher Diane para a Secretaria de Saúde.

 

Agora passo ao principal assunto da semana em nosso país, que foi o assassinato da vereadora Marielle Franco, de 38 anos, no Rio de Janeiro. Ela foi executada com quatro tiros após o veículo em que estava ser alvejado por 13 disparos. O motorista Anderson Gomes, de 39 anos, também morreu na execução, pois estava na linha de tiros dos carrascos da vereadora e foi atingido por três tiros. Ele deixou um filho de apenas um ano de idade. Esse crime bárbaro chocou o Brasil e teve repercussão internacional. A socióloga Marielle foi a quinta vereadora mais votada do Rio em 2016 com mais de 46 mil votos.

 

Negra, favelada e defensora dos direitos humanos e das mulheres, Marielle tinha atuação de destaque na periferia da capital carioca, combatia a corrupção na política e criticava bastante a atuação da Polícia Militar. Para nós mineiros pode soar estranho alguém fazer esse tipo de crítica, afinal temos a melhor PM do país. Porém, o Rio de Janeiro não tem a mesma sorte, pois a PM de lá é uma vergonha para o nosso país, pois está infestada de milicianos, que são os maus policiais que tomam conta de determinadas regiões da cidade com violência e exigem pagamentos semanais dos moradores para manter a segurança. Quem não dá dinheiro para esses bandidos de farda paga com a própria vida.

 

Marielle foi executada por ser uma voz destoante em um estado dominado pela criminalidade e pela corrupção dos bandidos de colarinho branco. De nada adiantou a presença do Exército nas ruas. A vereadora foi executada no Centro da cidade. A ação covarde dos executores e dos mandantes do crime foi um ataque ao Estado Democrático de Direito, pois calaram uma legítima representante do povo na bala, como era de costume durante o período de trevas da ditatura militar, onde quem discordava do regime amanhecia com a boca cheia de formigas. Os responsáveis pela execução de Marielle têm que ser identificados e presos rapidamente para o bem da nossa democracia.

 

A vereadora era de esquerda e pertencia ao Partido Socialismo e Liberdade (Psol). Isso fez com que os intolerantes das redes sociais destilassem o seu ódio. As pessoas que discordam das ideias e bandeiras de Marielle foram para as redes sociais atacá-la e fazer todo tipo de piada de mau gosto. Respeito? Isso não existe para os intolerantes. Em alguns comentários, a vítima foi apontada como culpada pelo próprio assassinato. Hoje em dia sobra ódio e falta amor, compreensão e respeito entre as pessoas. E falta inteligência também, afinal a vereadora foi atacada nas redes sociais por ser defensora dos direitos humanos. Será que os intolerantes sabem quais são os direitos humanos?

 

O jornal Extra, do Rio de Janeiro, explicou aos seus leitores após a execução de Marielle que direitos humanos são os direitos básicos de todos os seres humanos, ou seja, o direito à vida, à liberdade, à liberdade de opinião, ao trabalho, à educação, à crença religiosa e muitos outros. Como ser contra esses direitos? A desinformação é terreno fértil para a propagação da ignorância. Outra bobagem vista nas redes sociais foi a comparação da execução da vereadora com outros assassinatos ocorridos no país que não tiveram a mesma repercussão. Foi criada uma competição para tentar minimizar a execução da parlamentar. Quando será que as pessoas entenderão que ódio, intolerância e ignorância também são combustíveis para o avanço da violência em nosso país? #MariellePresente

 

Coluna #prontofalei publicada na edição nº 3702 do Correio de Araxá em 17 de março de 2018

 

Foto: Reprodução/Correio de Araxá.

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