#prontofalei – A intervenção eleitoreira do fracassado governo Temer

Foto: Divulgação.Assim que herdou a Presidência da República, após o impeachment de Dilma Rousseff, o inexpressivo Michel Temer elegeu como bandeiras do seu governo-tampão as reformas trabalhista e da Previdência, que foram elaboradas nos gabinetes de Brasília após somente os poderosos do país serem ouvidos. Os trabalhadores, que são a grande maioria da população, não foram consultados sobre as tais reformas. Com o apoio dos seus comparsas no Congresso Nacional, Temer conseguiu aprovar a reforma que acabou com diversos direitos dos trabalhadores brasileiros.

 

Quando já estava armando o bote para aprovar também a reforma da Previdência, o presidente-tampão foi gravado em uma conversa nada republicana em um dos porões de Brasília com Joesley Batista, que se tornou um empresário de sucesso vendendo carnes e comprando políticos. O dinheiro de emendas parlamentares que seria usado para comprar os votos necessários para a aprovação da reforma da Previdência teve que ser usado na compra de deputados para barrar as denúncias feitas pela Procuradoria-Geral da República contra Temer. Deu certo e as denúncias foram sepultadas.

 

Temer até chegou a jogar a toalha sobre a reforma da Previdência, mas foi pressionado pelos poderosos e retomou a pauta na reta final de 2017. Ele marcou a data da votação da reforma para o fim deste mês e passou todo o período do recesso legislativo tentando cooptar votos para a aprovação. Como 2018 é ano eleitoral e a grande maioria da população brasileira é contra a reforma da Previdência, muitos deputados não quiseram arriscar seus pescoços votando um projeto tão rejeitado pelo povo, mesmo sabendo que os votos favoráveis seriam muito bem recompensados pelo presidente-tampão.

 

Ao constatar que não teria os votos necessários para a aprovação da reforma da Previdência, Temer decidiu então encontrar uma saída honrosa para o fracasso de uma das bandeiras do seu governo. Foi aí que surgiu a ideia da intervenção federal no Rio de Janeiro, um estado falido, dominado pelo tráfico de drogas e com as forças de segurança sucateadas pelos governos corruptos de Sérgio Cabral, Anthony Garotinho e Luiz Fernando Pezão. Foi só combinar com as autoridades cariocas e armar o circo que a justificativa para a não votação da reforma previdenciária estava pronta.

 

Como a Constituição Federal não pode ser alterada durante a vigência de uma intervenção federal, a tramitação da reforma da Previdência teve que ser imediatamente suspensa, pois a mesma prevê alterações no texto constitucional. Somente após o término da intervenção é que a tramitação da reforma pode continuar, ou seja, o projeto não será mais votado em 2018. Além de conseguir uma desculpa, Temer também quer ganhar popularidade com a intervenção federal, já que a segurança pública será uma das estrelas da campanha eleitoral deste ano.

 

Junto com a intervenção, o Governo Federal anunciou a criação do Ministério da Segurança Pública, que só servirá mesmo para inchar ainda mais a máquina pública. Bastava criar uma Secretaria de Segurança Pública para coordenar ações em conjunto com o Ministério da Justiça. Mas como o presidente-tampão quer holofotes sobre si, o tal ministério foi criado. Alguns especialistas dizem que Temer quer se popularizar para ser candidato à reeleição. Outros afirmam que o presidente-tampão quer mesmo é fazer o seu sucessor. É inegável que a intervenção federal no Rio causou impacto positivo, pois a situação da segurança pública em nosso país é caótica.

 

Mas mesmo se a intervenção for muito bem-sucedida, Temer não tem a menor chance de reeleição ou de fazer um sucessor. A marca do governo do presidente-tampão é a corrupção, assim como os dos seus antecessores petistas. Temer é acusado pela Procuradoria-Geral da República de ser chefe de quadrilha criminosa e será alvo de investigações a partir de 1º de janeiro de 2019, quando perde o foro privilegiado. O destino de Temer deve ser o mesmo dos seus correligionários Eduardo Cunha e Geddel Vieira Lima, que estão atrás das grades, onde é o lugar de bandido.

 

Tenho minhas dúvidas se a intervenção federal no Rio de Janeiro surtirá os efeitos que a população espera. Nesta primeira semana de intervenção foram vistos poucos soldados do Exército nas ruas da capital. Poucas operações militares foram realizadas. A intervenção pode até apresentar resultados de curto prazo, mas que não serão duradouros. A criminalidade não vai acabar com essa intervenção. É preciso investir em Educação e ações sociais para combater a raiz do problema. É óbvio que combater o tráfico de drogas também é essencial, mas só isto não basta. O problema da criminalidade, não só no Rio de Janeiro, é muito mais complexo.

 

Não sou contra a intervenção federal, pois alguma providência tinha mesmo que ser tomada, mas não acredito que os resultados serão aquilo tudo que a população espera. É uma ação que terá resultados pontuais para serem utilizados de forma eleitoreira. No caso da intervenção ser um sucesso, Temer pode até conseguir aumentar a sua popularidade com essa intervenção, principalmente entre os extremistas de direita que acham que os problemas da humanidade se resolvem na bala, mas não será suficiente para melhorar a avaliação do seu fracassado governo. #IntervençãoEleitoreira

 

Coluna #prontofalei publicada na edição nº 3699 do Correio de Araxá em 24 de fevereiro de 2018

 

Foto: Reprodução/Correio de Araxá.

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