#prontofalei – Jornalismo é publicar aquilo que alguém não quer que se publique

Imagem ilustrativa.Não é de hoje que as redes sociais foram tomadas por pessoas frustradas, mal-educadas e radicais que ofendem aqueles que não pensam como elas. O único interesse dessas pessoas é disseminar o ódio em um ambiente virtual onde deveria prevalecer o diálogo. E como 2018 é ano eleitoral, infelizmente a tendência é que as redes sociais se tornem verdadeiros campos de guerra. Aliás, a guerra eleitoral já começou nas redes sociais. Basta ver os extremistas de esquerda e de direita trocando acusações e ofensas. Sobra até para a imprensa, que é atacada pelos extremistas quando lhes convêm.

 

O ídolo dos extremistas de esquerda é o ex-presidente Lula. Já os extremistas de direita têm como ídolo o deputado federal Jair Bolsonaro, chamado por eles de mito. São duas figuras que sintetizam o que há de pior na política brasileira. Lula já foi condenado em primeira instância a nove anos e meio de prisão pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. Bolsonaro está em seu sétimo mandato de deputado federal. Já são quase três décadas na Câmara Federal e apenas dois projetos aprovados. Os mandatos de Bolsonaro foram totalmente improdutivos. Ele só se destaca mesmo pelas inúmeras bobagens que diz.

 

Um é corrupto e o outro um político inútil, mas os seus fiéis seguidores são muito parecidos. É só dar uma rápida olhada nas redes sociais para constatar que os comentários dos fãs de Lula e Bolsonaro são exatamente iguais quando a imprensa noticia algo desfavorável aos dois. Lulistas e bolsonaristas atacam a imprensa quando os podres dos seus queridinhos são noticiados. Foi assim quando surgiram as acusações contra Lula e agora quando veio à tona que Bolsonaro tem uma assessora fantasma e que recebe auxílio-moradia da Câmara mesmo tendo um apartamento em Brasília.

 

Como são meros propagadores do que é dito por seus ídolos, os extremistas acham que Lula e Bolsonaro são perseguidos pela imprensa. Coitadinhos. A imprensa apenas cumpre o seu papel de informar a população. O simples fato dos adoradores de Lula e Bolsonaro atacarem a imprensa mostra que o trabalho dos veículos de comunicação sérios está sendo feito com isenção e imparcialidade. Claro que em toda cesta existem laranjas podres e na imprensa não é diferente. Mas as pessoas sabem muito bem quem são os maus profissionais e os veículos de comunicação que não são confiáveis.

 

Atacar a imprensa não é uma tática apenas dos políticos da esquerda e da direita. Políticos do centro também fazem isso. No ano passado, o prefeito de São Paulo, o tucano João Dória, atacou a imprensa em todas as vezes que a sua administração foi criticada ou que alguma notícia desfavorável foi estampada nos jornais. Nenhum político gosta de ser criticado pela imprensa ou ver notícias ruins envolvendo o seu nome. Alguns, que se acham donos do pedaço, tentam intimidar o trabalho da imprensa na cara dura. Eu mesmo já passei por isso.

 

Em abril de 2009, eu e os jornalistas Saulo Aguiar, Raphael Rios e Kiko Machado começamos a apresentar o programa Verdade em uma emissora de rádio de Araxá. Era um programa crítico que debatia os principais problemas da cidade e também as ações dos políticos do município. Foi um verdadeiro sucesso, que incomodou os poderosos da época. Como retaliação, a Prefeitura de Araxá cortou toda a publicidade do Governo Municipal que era veiculada na rádio. Não adiantou nada. A Prefeitura quebrou a cara e o programa continuou até dezembro de 2012.

 

Já em outubro de 2013, eu e Saulo nos preparávamos para estrear o programa Sem Censura, no jornal online Diário de Araxá, quando fomos surpreendidos com a informação de que alguns vereadores queriam impedir que o mesmo fosse realizado. Em uma situação absurda e vergonhosa, a maioria dos vereadores se reuniu na sala da presidência da Câmara Municipal na tentativa de impedir que o programa, que seguiria a mesma linha do Verdade, estreasse no jornal online. Também não adiantou nada. O programa é veiculado até hoje no Diário de Araxá e boa parte daqueles vereadores que tentaram sabotá-lo foi parar atrás das grades quando a Polícia Civil descobriu um esquema de corrupção no Legislativo.

 

Perdi o número das vezes em que políticos tentaram me prejudicar na emissora de rádio onde trabalhei por dez anos por causa das minhas opiniões. Essa conduta deplorável da classe política em relação a mim se intensificou a partir de 2011, quando entrou no ar o meu blog, onde eu sempre tive mais liberdade para opinar. Nunca dei importância para os ataques que sofri como profissional da imprensa. Continuei realizando o meu trabalho do mesmo jeito, estou prestes a completar 16 anos de atuação na imprensa e há três anos emito minhas opiniões aqui no Correio de Araxá.

 

A imprensa do nosso país não tem que se preocupar com o que pensam os extremistas, candidatos e detentores de mandatos eletivos. A preocupação tem que ser sempre com a verdade. Imprensa livre é a base de uma democracia. Uma população bem informada terá mais condições de eleger bons governantes nas eleições deste ano. E que nenhum profissional de imprensa se esqueça do que disse o escritor, jornalista e pensador inglês George Orwell: “Jornalismo é publicar aquilo que alguém não quer que se publique. Todo o resto é publicidade.” #ImprensaLivre

 

Coluna #prontofalei publicada na edição nº 3694 do Correio de Araxá em 20 de janeiro de 2018

 

Foto: Reprodução/Correio de Araxá.

This entry was posted in Destaques, Opinião. Bookmark the permalink.

Comments are closed.