Coluna Nilton Ribeiro – Bandagem elástica funcional: funciona mesmo?

Imagem ilustrativa.Quem acompanha esporte, seja ao vivo ou pela televisão, já deve ter visto alguns atletas utilizando uma espécie de faixa colorida em algum lugar do corpo e deve ter se perguntado do que se tratava. Trata-se de uma bandagem elástica funcional, conhecida também como banda neuromuscular ou bandagem elástica. Ela é feita a partir de algodão, possui uma cola especial para grudar na pele e poros para facilitar a respiração cutânea, além de poder ser esticada até 140%.

 

As fitas para tratamento possuem colas antialérgicas feitas em acrílico, ou fechamento em velcro para ajustes, maior conforto e flexibilidade. No caso de tratamentos fisioterápicos, é possível permanecer de três a cinco dias com a bandagem, sem ser necessário retirá-la para tomar o banho, podendo ser usada também em esportes aquáticos.

 

Criada nos anos 70 na Ásia, este tipo de bandagem tem como funções a estabilização articular, contenção da musculatura, imobilização articular, proteção articular e muscular, prevenção a lesões articular e muscular, e estimulação muscular. Foi em 1988, nas Olimpíadas de Seul, que a delegação esportista japonesa fez uso das bandagens oficialmente, divulgando a terapia para todo o mundo.

 

Segundo o Dr. Kenzo Kase, criador da bandagem elástica conhecida como Kinesio Tape (marca mais famosa dessas bandagens), os músculos não realizam apenas movimento, mas também influenciam os sistemas circulatório, linfático e térmico.

 

Imagem ilustrativa.A tensão criada a partir da elasticidade da bandagem, segundo o criador da técnica, é capaz de, por exemplo, aumentar o espaço subcutâneo. Isto estaria relacionado com a melhora da circulação local, onde as terminações nervosas são estimuladas e enviam sinais até o cérebro, cuja resposta neural ajuda a melhorar o problema e diminui a dor.

 

Ao aplicar-se a bandagem sobre um músculo, ele pode ser estimulado indiretamente a relaxar-se ou ativar-se, de acordo com a forma de aplicação. Se aplicado no sentido da origem para a inserção do músculo o efeito será de tonificação ou ativação. Aplicando-se no sentido contrário, o efeito é relaxante.

 

Outros efeitos que podem ser atingidos por meio da aplicação, além da regulação tônica, é a analgesia, a estimulação da propriocepção e da consciência corporal e eliminação de bloqueios circulatórios e linfáticos, como edemas e hematomas, melhora da postura, problemas de coluna e hérnias de disco, auxilia também em tratamentos estético facial e também ajudam a drenar edemas pós cirúrgicos colaborando na cicatrização e recuperação.

 

As contra-indicações para a aplicação da bandagem elástica são trombose, ferimentos, edema geral, carcinomas, gravidez, e sobre tecidos dérmicos frágeis. Também não pode ser usadas sobre celulites ou áreas que possuam infecções ativas graves localizadas tanto na superfície quanto em camadas internas, e em pacientes com alterações renais ou asmáticos.

 

Apesar das bandagens estarem sendo muito utilizadas, tanto no meio esportivo quanto fora dele, pouco se estudou de fato a respeito de seus verdadeiros efeitos. Enquanto que quem as aplica defende com unhas e dentes sua utilização. Muitos acham que ela não passa de um placebo, ou seja, que tem efeito psicológico sobre quem as utiliza. Muitos dizem também que se trata apenas de uma jogada de marketing e que daria no mesmo usar, ao invés da bandagem de marca X ou Y um simples pedaço de esparadrapo para obter os mesmos efeitos.

 

Enquanto não houver estudos sérios a respeito das bandas neuromusculares, sem fins marqueteiros, não saberemos ao certo como ou se realmente funcionam. Enquanto isso não acontece, muitas pessoas continuarão usando-as de maneira empírica, ou seja, sem evidência científica de que funcionam, acreditando apenas nos resultados obtidos por meio da utilização nas próprias experiências práticas.

 

Nilton Ribeiro. Foto: Divulgação.Nilton Ribeiro Júnior

Fisioterapeuta pediátrico no Centro de Atendimento a Criança (CAC). 

Fisioterapeuta responsável pelo GEPE (Grupo de Estimulação Precoce Essencial) e pela avaliação Neuropsicomotora e acompanhamento de bebês de risco. 

Fisioterapeuta no Centro de Especialização e Reabilitação de Araxá-MG/APAE (CER)

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