Polícia Civil comprova desvio de recursos de fundos municipais na Coafro

Foto: Diário de Araxá.A Polícia Civil de Araxá apresentou um relatório parcial da Operação Houdini, que investiga o desvio de recursos públicos repassados em 2014 ao Conselho de Participação e Integração da Comunidade Afro-Brasileira de Araxá (Coafro). Três diretores da entidade e um prestador de serviços ficaram presos temporariamente por oito dias. O delegado Dr. Renato de Alcino Vieira, responsável pela operação, confirmou que houve o desvio de recursos oriundos de fundos municipais.

 

 

No dia 6 deste mês, a Polícia Civil prendeu o presidente da Coafro, Clayton Aires da Silva, de 51 anos, a tesoureira da entidade, Luciana Maria Fernandes, de 41, o diretor Alexandre Francisco dos Santos, de 36, e Santo Christo da Silva, de 63, que na época dos fatos tinha uma empresa que supostamente prestava serviços para a Coafro. Eles ficaram presos até o último 13 e prestaram depoimentos durante o período. De acordo com a Polícia Civil, todos se apropriaram de recursos públicos repassados ao Coafro, que recebeu R$ 110 mil em 2014.

 

 

Esse recursos eram oriundos dos fundos municipais de Assistência Social e da Criança e do Adolescente. Dr. Renato explicou que conseguiu provas da entrada dos recursos desviados nas contas dos diretores da Coafro. Segundo ele, foram identificados R$ 5 mil na conta de Alexandre e quase R$ 800 na de Lucina. O presidente Clayton solicitou que uma comerciante de Araxá emitisse uma nota fraudulenta para a Coafro no valor de R$ 6.100,00 e repassou para ela um cheque nominal. A comerciante endossou o cheque, que em seguida foi depositado na conta de Clayton.

 

 

Outras notas fraudulentas foram emitidas pela empresa de Santo Christo, que é amigo dos diretores da Coafro, para justificar gastos de R$ 50 mil. Mesmo sem prestar serviços para a entidade, como alegava, Santo Christo recebeu cheques nominais a ele e os descontou na boca do caixa da agência bancária para dificultar o rastreamento dos valores. Dr. Renato informou que quando os cheques eram descontados, logo em seguida eram feitos depósitos nas contas dos integrantes da Coafro investigados na Operação Houdini, o que reforça a tese de apropriação de recursos públicos.

 

 

A Polícia Civil ainda encontrou durante as investigações um caderno indicando que o presidente e a tesoureira da Coafro recebiam recursos oriundos dos convênios firmados entre o município e a entidade. De acordo com o delegado, o caderno indicava repasses mensais de R$ 1 mil para Clayton e de R$ 600 para Luciana. Também foram encontrados equipamentos e pertences da Coafro em poder dos diretores presos. Dr. Renato relatou que localizou um computador da entidade na casa de Clayton sendo usado apenas para jogar videogame.

 

 

Dr. Renato informou que a Polícia Civil está ouvindo os conselheiros municipais da época que autorizaram a liberação de recursos públicos para uma entidade que não possui capacidade técnica de executar projetos. Os investigados tiveram valores e veículos bloqueados judicialmente para permitir o ressarcimento dos recursos públicos desviados.

 

 

Segundo o delegado, as investigações da Operação Houdini prosseguem e ao final do inquérito policial os investigados devem ser indiciados pelos crimes de associação criminosa, lavagem de dinheiro, apropriação indébita e falsidade ideológica. Todos os investigados negam participação no desvio de recursos públicos.

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