Coluna Nilton Ribeiro – Sentado em W

Imagem ilustrativa.Sentar em “W” refere-se à postura assumida pelas crianças quando se sentam no chão com as pernas posicionadas no formato de um “W”, sendo esta uma das várias posições que a criança pode assumir enquanto brinca. A alternância entre as posições que a criança senta é muito benéfica e estimula a descoberta dos limites do corpo. No entanto, se assumido com frequência, este hábito postural pode gerar alterações ortopédicas, no desenvolvimento ósseo e no desenvolvimento motor.

 

As alterações ortopédicas que podem ocorrer são várias. Mas, podemos destacar, por exemplo, o limite da rotação interna dos quadris, predispondo a criança a problemas ortopédicos futuros, quando sentada em “W”. Nesta posição anormal, o risco de luxação do quadril é preocupante. Esta posição também favorece a instalação de encurtamentos e contraturas musculares.

 

O sentar em “W” também pode afetar o desenvolvimento ósseo, favorecendo a ante-versão da cabeça do fêmur e a rotação interna da tíbia. A criança permanecendo para brincar nessa postura experimenta um grande aumento da base de sustentação quando comparada com outras posturas sentadas, isso lhe garante maior estabilidade e menor necessidade de ajustes posturais.

 

Imagem ilustrativa.Quando sentada em “W”, o centro de gravidade dificilmente ultrapassará a sua base de sustentação (a área ocupada pelo “W”), desta forma, os músculos do tronco terão pouco trabalho para manter o equilíbrio. Obviamente equilíbrio e estabilidade são coisas boas, mas, a instabilidade também é essencial para desenvolver reações posturais e a força nos músculos do tronco.

 

O problema é que o “W” é tão estável que não permite à criança exercitar seu equilíbrio, também limita as rotações de tronco e as transferências de peso laterais como aquelas que realizamos para alcançar um objeto, por exemplo. Como resultado, ocorre um atraso nas aquisições de controle de tronco e equilíbrio devido ao não uso. Além disso, pela falta de transferências laterais e da capacidade de cruzar a linha média (levar a mão esquerda a alcançar um objeto no lado direito do corpo), a criança tende a usar a mão direita no lado direito do corpo e a mão esquerda no lado esquerdo do corpo, afetando o desenvolvimento da dominação manual.

 

Imagem ilustrativa.

 

A maioria das crianças adquire a posição em “W” por curtos períodos de tempo, alternando naturalmente para outras posições. A forma mais fácil de prevenir complicações é evitar desde o início que se torne um hábito.

 

Elas devem ser estimuladas a mudar a posição e chamadas à atenção para corrigirem a postura sempre que a posição em “W” for à preferencial. Se vocês, pais, familiares e cuidadores, perceberem frequência na postura em “W”, basta ajudar a criança a modificar a posição com suas próprias mãos, guiando-a, por exemplo, para outra postura e conversando com ela, explicando que ela precisa endireitar as perninhas pra não se machucar.

 

Nilton Ribeiro. Foto: Divulgação.Nilton Ribeiro Júnior

Fisioterapeuta no Centro de Especialização e Reabilitação de Araxá-MG (CER).

Fisioterapeuta pediátrico no Centro de Atendimento a Criança (CAC).

Fisioterapeuta responsável pelo GEPE (Grupo de Estimulação Precoce Essencial) e pela avaliação Neuropsicomotora e acompanhamento de bebês de risco.

This entry was posted in +, Colunistas, Nilton Ribeiro. Bookmark the permalink.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *


Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>