Coluna Nilton Ribeiro – Síndrome de Down: o cromossomo do Amor

Foto: Divulgação.Os cromossomos carregam milhares de genes, que determinam todas as nossas características. Desses cromossomos, 44 são denominados regulares e formam pares (de 1 a 22). Os outros dois constituem o par de cromossomos sexuais, chamados XX no caso das meninas e XY no caso dos meninos. 

 

Esses cromossomos são recebidos pelas células embrionárias dos pais, no momento da fecundação. Vinte e três vêm dos espermatozóides fornecidos pelo pai e os outros 23 vêm contidos no óvulo da mãe. Juntos, eles formam o ovo ou zigoto, a primeira célula de qualquer organismo. Essa célula, então, começa a se dividir, formando o novo organismo. Isso quer dizer que cada nova célula é, em teoria, uma cópia idêntica da primeira. 

 

As pessoas com síndrome de Down têm 47 cromossomos em suas células em vez de 46, como a maior parte da população, e é causada pela presença de três cromossomos 21 em todas ou na maior parte das células de um indivíduo, por isso conhecida também como Trissomia do 21. 

 

A Síndrome de Down é a ocorrência genética mais comum que existe, acontecendo em cerca de um a cada 700 nascimentos, independentemente de raça, país, religião ou condição econômica da família. 

 

É importante esclarecer que o comportamento dos pais não causa a síndrome de Down. Não há nada que eles poderiam ter feito de diferente para evitá-la. Não é culpa de ninguém. Além disso, a Síndrome de Down não é uma doença, mas uma condição da pessoa associada a algumas questões para as quais os pais devem estar atentos desde o nascimento da criança. 

 

As crianças, os jovens e os adultos com Síndrome de Down podem ter algumas características semelhantes e estarem sujeitos a uma maior incidência de doenças, mas apresentam personalidades e características diferentes e únicas. 

 

O bebê que tem  síndrome de Down requer alguns cuidados após o nascimento e ao longo de seu desenvolvimento, por conta das características decorrentes da trissomia 21. 

 

Foto: Divulgação.

 

Uma dessas características é a hipotonia muscular  (os bebês nascem mais “molinhos”) e a frouxidão dos ligamentos (juntas flexíveis). Por isso, o bebê tende a manter uma postura mais relaxada, já que seus músculos são menos tensionados e as articulações são mais frouxas. 

 

A fisioterapia pode colaborar especificamente para o desenvolvimento motor da criança, ajudando-a se movimentar de maneira correta e no fortalecimento físico. No entanto, ressaltamos que o bebê só deve iniciar a atividade após autorização do médico que o acompanha. No caso de crianças com síndrome de Down que nascem com algum tipo de cardiopatia grave, por exemplo, qualquer exercício é contra indicado até que o problema seja tratado. 

 

O bebê pode começar a fisioterapia desde o nascimento para que, com os exercícios, consiga sustentar o pescoço, rolar, sentar-se, arrastar-se, engatinhar, ficar em pé e andar, minimizando os efeitos motores da Síndrome de Down. 

 

Nos primeiros seis meses de vida, as atividades propostas na fisioterapia são chamadas de estimulação precoce, pois devem começar já desde o nascimento. A fisioterapia pode facilitar o desenvolvimento motor do bebê por meio de exercícios e em casa. 

 

A participação dos pais e familiares na fisioterapia é fundamental, tanto no sentido de troca com o terapeuta, como para garantir a continuidade desta terapia em casa, no dia a dia, incluída na rotina doméstica. Desta forma os pais poderão explicar melhor o contexto em que a criança vive, bem como relatar seu desenvolvimento. 

 

As pessoas com síndrome de Down têm muito mais em comum com o resto da população do que diferenças. Se você é pai ou mãe de uma pessoa com Síndrome de Down, o mais importante é descobrir que seu filho pode alcançar um bom desenvolvimento de suas capacidades pessoais e avançará com crescentes níveis de realização e autonomia. Ele é capaz de sentir, amar, aprender, se divertir e trabalhar. Poderá ler e escrever, e deverá ir à escola como qualquer outra criança e levar uma vida autônoma. Em resumo, ele poderá ocupar um lugar próprio e digno na sociedade.

 

 

Nilton Ribeiro. Foto: Divulgação.Nilton Ribeiro Junior 

Fisioterapeuta no Centro de Especialização e Reabilitação de Araxá-MG (CER). 

Fisioterapeuta pediátrico no Centro de Atendimento a Criança (CAC). 

Fisioterapeuta responsável pelo GEPE (Grupo de Estimulação Precoce Essencial) e pela avaliação Neuropsicomotora e acompanhamento de bebês de risco.

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