Coluna Nilton Ribeiro – Grupo de Estimulação Precoce Essencial

Foto: Acervo Pessoal/Nilton Ribeiro Júnior.Estimular é ensinar, motivar, aproveitar objetos e situações e transformá-los em conhecimento e aprendizagem. É levar a criança, através da brincadeira, a aprender sempre mais. Pode parecer complicado, mas não é. Basta acreditar que o bebê vai aprender e ter vontade de ensinar. A ajuda de profissionais como pediatra, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, psicólogos e psicopedagogos, é fundamental nesta etapa, pois eles vão analisar em que áreas a criança pode estar passando dificuldades e a partir daí, criarem um programa de apoio a essa criança e seus cuidadores.

 

Desta forma, Grupos de Estimulação Precoce Essencial (GEPE), tem se tornado cada vez mais um programa de grande sucesso para a aquisição de habilidades motoras e psicológicas para crianças com alterações psicomotoras. A maior parte dos programas de estimulação precoce é dirigida a crianças de 0 a 3 anos de idade. Nestes grupos é importante não fixar idades para a aquisição de habilidades, pois há grande variação no desenvolvimento das crianças, especialmente em crianças com Síndrome de Down.

 

Cada criança apresenta seu padrão característico de desenvolvimento, visto que suas características inerentes sofrem a influência constante de uma cadeia de transações que se passam entre a criança e seu ambiente. Mesmo assim, existem características particulares que permitem uma avaliação grosseira do nível e da qualidade do desempenho dessa criança.

 

Foto: Acervo Pessoal/Nilton Ribeiro Júnior.Todo GEPE tem que ter como propósito acolher pais, bebês ou crianças especiais, com o objetivo de proporcionar um conjunto dinâmico de atividades e recursos humanos e ambientais incentivadores, a fim de proporcionar à criança nos seus primeiros anos de vida, experiências significativas para alcançar pleno desenvolvimento no seu processo evolutivo, e orientar pais e cuidadores a maneira certa de estimular essa criança no dia. A forma de pegar o bebê, a maneira de dar o banho, a postura ao carregar a criança no colo, os brinquedos mais adequados, etc., são fatores que apresentados a criança de maneira correta, estarão proporcionando estímulos adequados ao seu Sistema Nervoso Central (SNC). Pois, Sabe-se que o desenvolvimento motor é o processo de mudanças no comportamento motor que envolve tanto a maturação do SNC, quanto a interação com o ambiente e os estímulos dados durante o desenvolvimento da criança.

 

O aprimoramento motor é o ponto de partida de todo o desenvolvimento motor da criança. A independência adquirida com a locomoção e a manipulação de objetos ampliou a visão de mundo do ser humano, contribuindo e levando-o a progredir continuamente.

 

Por simples que seja o manuseio proporciona experiências sensoriais e motoras normais que darão base para o desenvolvimento motor. Com as abordagens sensório-motoras, estímulos sensoriais específicos são administrados para estimular uma resposta comportamental ou motora desejada na criança. Técnicas de integração sensorial algumas vezes são incorporadas nestes programas de estimulação precoce. A intervenção sensorial e motora pode ser aplicada a bebês de alto risco de várias maneiras, por exemplo, o rolamento linear em uma bola pequena para estimular o sistema vestibular e promover um estado de alerta. Estímulos proprioceptivos e táteis profundos poderão promover um comportamento calmo e auto regulatório em crianças.

 

É primordial que o tratamento se inicie o mais breve possível, dada a importância da prevenção de agravos no desenvolvimento, como também, proporcionar aos pais apoio terapêutico visando o fortalecimento do vínculo com o bebê ou a criança especial. Em nenhuma fase do ser humano o desenvolvimento motor vai ser tão rápido como o de 0 a 1 ano e 8 meses de idade. Portanto, é este o período em que o bebê ainda terá maiores possibilidades de se normalizar sem se defasar no seu desenvolvimento.

 

É importante dizer que mesmo a criança não nascendo com nenhuma síndrome específica ou algum comprometimento neurológico, ela terá a necessidade de participar do GEPE com seus pais ou cuidadores. Essas crianças são geralmente as que nascem pré-termo (prematuro) ou com extremo baixo peso. E é a partir disso que a equipe multidisciplinar do GEPE fará uso da estimulação precoce, ajudando, através de brincadeiras, as crianças a se desenvolverem da melhor maneira possível, com a orientação de pais e cuidadores.

 

Todo trabalho realizado por equipe multidisciplinar tem seu diferencial. Pois, os profissionais além de avaliarem a criança como um todo fará os atendimentos em conjunto, observando melhor essa criança. Por isso, a importância dessas crianças participarem do GEPE.

 

Foto: Acervo Pessoal/Nilton Ribeiro Júnior.O médico pediatra do GEPE acompanhará as fases motora da criança, além de oferecer assistência à criança nos seus diversos aspectos, sejam eles preventivos ou curativos. O fisioterapeuta do GEPE além de avaliar e orientar utiliza de técnicas motoras, neurológicas e cardiorrespiratórias especializadas, buscando integrar os objetivos fisioterápicos com atividades lúdicas e sociais, levando a criança a uma maior integração com sua família e sua sociedade. O profissional da fonoaudiologia atua dentro do GEPE na avaliação, prevenção, diagnóstico, tratamento da comunicação oral, e na disfagia. O profissional da terapia ocupacional do grupo, além de avaliar, busca a promoção, a potencialização, a restauração das habilidades motora e o comportamento do desempenho cognitivo, físico, afetivo e psicossocial. Já o Psicólogo do grupo é responsável pela avaliação e elaboração de atividades com os pais e crianças, abordando conceitos como emoção, percepção, motivação, personalidade, comportamento entre outras áreas. E o profissional da psicopedagogia, atua na parte educativa da criança e pais, através da percepção de determinadas dificuldades de aprendizagem específicas e do comportamento entre pais e filhos, propondo atividades e brincadeiras lúdicas, além de orientações.

 

As atividades são desenvolvidas em encontros semanais, de modo a favorecer o desenvolvimento da criança no tocante aos aspectos psicoafetivo, motor, linguagem, adaptativo, brincar e hábitos de vida, levando-se em conta os aspectos maturativos, cognitivos e emocionais.

 

O Centro de Atendimento à Criança e o CER II de Araxá, são as únicas instituições na cidade que hoje possuem o GEPE, como diferencial nos seus atendimentos multidisciplinar. Para maiores informações e esclarecimentos sobre este trabalho, deixarei o contato das duas instituições: Centro de Atendimento à Criança – 3662-4369 / 98861-4035; CER II Apae – 3662-3684.

 

Nilton Ribeiro. Foto: Divulgação.Nilton Ribeiro Junior

Fisioterapeuta pediátrico no Centro de Atendimento a Criança (CAC).

Fisioterapeuta responsável pelo GEPE (Grupo de Estimulação Precoce Essencial) e pela avaliação Neuropsicomotora e acompanhamento de bebês de risco.

Fisioterapeuta no Centro de Especialização e Reabilitação de Araxá-MG/APAE (CER).

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