Coluna Nilton Ribeiro – Síndrome de Guillain-Barré na Fisioterapia

Nilton Ribeiro Junior. Foto: Divulgação.No mês passado abordamos como tema o Zika vírus e suas causas na Microcefalia, juntamente com os cuidados que a fisioterapia inclui nessa patologia. Ainda sobre o Zika, existe outra manifestação patológica que tem provocado pânico em muitos brasileiros: a Síndrome de Guillain-Barré, que tem sido também correlacionada como causa da presença do vírus Zika no nosso organismo. 

 

A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiram uma atualização epidemiológica a vários países, incluindo o Brasil, pedindo para que seja intensificado e estabelecido maneiras eficaz de detectar e diagnosticar casos de infecção por Zika Vírus, visto que tem-se aumentado o número de pessoas infectadas pelo vírus, e também devido ao aumento de anomalias congênitas e a Síndrome de Guillain-Barré. 

 

A Síndrome de Guillain-Barré é uma doença neurológica e imunológica grave, desencada por infecções bacterianas ou virais, acometendo a inflação dos nervos e causando fraqueza muscular. No Brasil a freqüência dessa instalação patológica tem sido rara, mas com o surto do Zika no país essa freqüência tem aumentado, com média de 1 caso a cada 100.000 habitantes. 

 

A causa do aumento da incidência da Síndrome Guillain-Barré com o Zika vírus no Brasil tem feito com que pesquisadores aprofundem seus estudos para confirmarem a presença do Zika na Síndrome. O que se suspeitam é de que o vírus ao entrar no nosso organismo ataca o sistema nervoso periférico, destruindo a bainha de mielina que recobre os nervos, causando uma inflamação na bainha, impedindo o impulso nervoso, responsável pelo movimento dos nossos órgãos e músculos. 

 

O diagnóstico é feito através de exames complementares (Ressonância Magnética, Exame de sangue, etc.) e avaliação do quadro clínico apresentado pelo paciente. Muitos indivíduos antes de serem diagnosticados com a Síndrome de Guillain-Barré foram vacinados, fizeram alguma cirurgia ou apresentaram doenças como gastroenterite, ou infecções virais como Dengue, HIV, ou Zika Vírus. No Brasil os casos recentes estão associados a uma doença exantemática, ou seja, uma doença com lesões de pele. 

 

Os sintomas podem ser de rouquidão, dificuldades em engolir, falar e respirar; aceleração cardíaca e pressão alta ou baixa; incontinência urinária e fecal; desmaio; dormência no corpo; perda da sensibilidade; dor nas articulações do corpo; fraqueza nas pernas, e nos casos mais graves da síndrome, pode paralisar o corpo. Os sinais e sintomas apresentados pela síndrome podem se desenvolver rapidamente e pioram ao longo do tempo, podendo deixar o indivíduo paralisado em menos de 3 dias. A Síndrome de Guillain-Barré progride em 2 a 4 semanas e a maioria dos pacientes recebe alta hospitalar após 4 semanas, mas o tempo total de recuperação pode demorar meses ou anos. No entanto, nem todos os pacientes são gravemente afetados porque alguns podem somente apresentar fraqueza nos braços e nas pernas.  

 

O tratamento envolve medicação venosa, portanto, o paciente fica hospitalizado por um período longo, além de ser necessário um acompanhamento com médico neurologista e de um fisioterapeuta, dentro do hospital e após a alta. O tratamento em geral tem como objetivo reduzir os sintomas e acelerar a recuperação do paciente.  

 

A fisioterapia na Síndrome de Guillain-Barré é importante para a recuperação das funções musculares e respiratória do paciente, e deve ser mantida por longos períodos até que o paciente recupere o máximo de suas capacidades funcionais. 

 

Se a Síndrome provocar uma paralisia dos músculos respiratórios, o paciente ficará internado na UTI, e pode necessitar de ventilação mecânica para respirar, e neste caso o fisioterapeuta também é importante para garantir a oxigenação necessária a esse paciente, pois, caso não recebe este suporte, a pessoa pode morrer por asfixia. Após a alta hospitalar o tratamento fisioterapêutico pode ser mantido por 1 ano ou mais, dependendo do progresso alcançado pelo paciente. A maioria dos pacientes se recupera e volta a andar após 6 meses a 1 ano de tratamento, mas existem alguns que tem maior dificuldade e que precisam de cerca de 3 anos para se recuperar. 

 

O acompanhamento de um fisioterapeuta com exercícios diários realizados com o paciente é necessário para estimular a movimentação e melhora da amplitude de movimento das articulações, ganhar força muscular, restabelecer funções e prevenir complicações respiratórias e circulatórias, além de orientar familiares e cuidadores, sendo que para a maioria dos pacientes o principal objetivo é voltar a andar sozinho e ter a sua independência nas atividades de vida diária.

 

Nilton Ribeiro Junior

Fisioterapeuta pediátrico no Centro de Atendimento a Criança (CAC).

Fisioterapeuta responsável pelo GEPE (Grupo de Estimulação Precoce Essencial) e pela avaliação Neuropsicomotora e acompanhamento de bebês de risco.

Fisioterapeuta no Centro de Especialização e Reabilitação de Araxá-MG/APAE (CER).

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